Anna, Hanna, Lanna. Três nomes parecidos. Três garotas. Três jovens. Três colegas. Três amigas. Três confidentes. Três companheiras. Três estilos diferentes. Três personalidades distintas, principalmente no quesito "par romântico ideal".
Anna, fazia o estilo "mulher romântica". Sonhava com um príncipe encantado e não tinha a menor vergonha ou resseio em afirmar isso. O problema é que o "príncipe" dela necessariamente deveria cumprir uma série de pré-requisitos, a começar pela primorosa educação (leia-se: legítimo um cavalheiro vindo de um filme épico), pela simpatia e os atributos físicos: ser alto, forte, com um belo sorriso, cabelos loiros esvoaçantes e olhos azuis (ou verdes)... ah, sim, ela dispensa o cavalo branco. Para Anna a estética era tudo.
Lanna, por sua vez, também tinha estereótipos preferidos. Avessa à Anna, gostava de morenos. Não importava a cor dos olhos, mas os cabelos deveriam ser negros, curtos. O rosto com linhas fortes, o corpo com bom porte, os ombros largos (leia-se: homens alguns anos mais vividos que ela). Um sorriso enigmático, bom humor e uma dose de "Dom Juan" completavam o príncipe encantado de Lanna. Derretia-se toda por um "você é linda"... e era severamente criticada por Anna. Mas fazer o quê? Para Lanna, o fascínio despertado pelos conquistadores (baratos) era tudo.
Já Hanna... ah, Hanna. Suas amigas não compreendiam sua falta de "definição de par ideal". Seu gosto e suas paixões eram tão diversas que Lanna e Anna não entendiam como era capaz alguém ter amores completamente opostos! Ora loiros, ora morenos, passando pelos castanhos. Ora tímidos, ora extrovertidos. Altos ou baixos. Artistas ou cientistas. Para Hanna, importava o brilho no fundo dos olhos. Se o olhar do suposto príncipe brilhava... as pernas de Hanna ficavam bambas e estava feito o encanto. Para Hanna, muita subjetividade e um "eu interior" era tudo.
Suas amigas jamais haviam visto "o eu interior", não sabiam como era apaixonar-se por uma alma. Sabiam o que era gostar de um corpo, de um rosto, um estilo... mas não sabiam (e nem entendiam) o que significava gostar da essência de alguém. Não conseguiam separar imagem e coração.
Mas Lanna e Anna não se contentaram enquanto não traçaram todas possibilidades de perfis, para definir o complexo gosto de Hanna. Primeiro acreditaram que Hanna tinha uma habilidade para se envolver apenas com pessoas com dotes musicais. Saber tocar algum instrumento musical parecia ser um ponto em comum entre todos amores de Hanna. A tese tinha tudo para se confirmar, mas Hanna conheceu um rapaz que não sabia tocar absolutamente nada. Nem gaita de boca, nem violão, nem pandeiro.
Desesperadas, Lanna e Anna voltaram a analisar as características comuns entre as paixões passadas e recentes de Hanna. Depois de muito pensar decidiram: Hanna não tem um perfil de príncipe encantado ideal. Mas que ela gosta de um sotaquesinho puxado no "R", ah isso ela gosta!! E não há como negar!
quarta-feira, dezembro 05, 2007
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