domingo, dezembro 06, 2009

Esqueça o colorido de meus olhos,
mas lembre-se do cinza das minhas palavras.

Palavras ditas com seriedade,
para rasgar as nuvens brancas
dos castelos imaginados e dos elefantes enfeitados.

Palavras carregadas de chumbo.
De cinzas de um amor
que ardeu em brasa, mas não resistiu ao pó.
Que paira sobre o porta-retrato e apaga...

Poeira cósmica, das dúvidas e das incertezas.
Afinal, a origem do universo ainda é um mistério que atravessa a noite fria e solitária.

quinta-feira, novembro 12, 2009

Sumi por uns tempos, eu sei.
E quem foi que disse que dar um tempo não pode ser bom?
Dei um tempo para as paixonites agudas.
E nesse meio tempo, busquei retornar à essencia.
Deixar a água rolar sobre as pedras e ir ao mar.
Ah, o mar.
Mesmo sem tocá-lo posso sentir seu gosto, seu cheiro...
deixar tuas ondas me levarem para onde quiser
seguir a direção, sem pensar
apenas seguir, viver... no litoral.

quinta-feira, outubro 22, 2009

Lições do Mago

Hoje duas lições do Mago sobre amor me fizeram reconhecer alguns erros pontuais que venho cometendo nas minhas últimas desaventurosas paixonites agudas. Paixonites agudas são aquelas que acabam antes mesmo de haver alguma posssibilidade real de concretização. Me apaixono e sufoco essas paixões no espaço de algumas semanas (no máximo, foram 3 meses). Guardo-as para mim, vivo-as intensamente apenas em pensamento. O sujeito pelo qual me "pseudo-apaixono" quase nunca fica sabendo que foi alvo dos meus delírios.
Por um momento, avaliei, faz tempo que não me envolvo, de fato, com alguém. Muitos receios e cicatrizes mal cicatrizadas formam uma barreira entre o "eu" e o "amor". Viver tudo a nível de pensamento é tão mais fácil, tão mais seguro que boicoto a mim mesma. Digo o não, quando deveria dizer o sim.
Enfim, as lições do Mago:

-
Não use as experiências passadas para julgar o amor presente.

-
Feridas de amor no passado não ajudam a relação presente. Não se "aprende" amor cada vez que se ama
.


Cada um é cada um. O ex pode ter sido um canalha, o que não significa que todos serão canalhas. A gente não aprende amor cada vez que se ama; a gente aprende sobre convivência, partilha. A gente entende que existem limites... que a nossa vontade nem sempre está na vontade e no tempo do outro. Paciência.
Buscar a unidade na diferença é uma forma de amar, de respeitar. Não há amor onde não há respeito, digo e reafirmo.
Lições simples, pena que a gente esquece.

sábado, outubro 17, 2009

Sentimentalóides urbanas

Era uma vez um coração cheio. Transbordava.
Não havia nem espaço para os suspiros, mas ele insistia: pode entrar, sempre cabe mais um amor impossível.

No início, tudo era um mar de rosas vermelhas e perfumadas. No fim, as rosas estavam murchas, desbotadas e com cheiro de um ontem triste.

Era uma vez um coração vazio. De tão vazio chegava a fazer eco. Não havia sentimentos nem pulsar. Impulsos? Só do oco a ecoar.


I'm sad.
My heart is empty.
And my head is full...

domingo, outubro 04, 2009

Ter em quem pensar antes de dormir é ter com quem sonhar ao acordar

Ter em quem pensar antes de dormir é ter com quem sonhar ao acordar.
Quero essa sensação de novo.
Mas além de uma sensação virtual...
criada nos romances a nivel da potência imaginativa.
Quero sensações sentidas!
Quero pele,
Quero química.
Surpresas, acasos.
Calor humano.
dos abraços,
dos beijos,
dos suspiros.

Tal qual o sonho inusitado da noite anterior.

Aonde está você agora, felicidade?

Sei que estou num círculo vicioso...
De sentimentos guardados, medos expandidos.
As cicatrizes me barram na porta da entrada
E os sorrisos são para disfarçar
Que está tudo bem, tudo ok.

Quando, na verdade, há um enorme vazio
que corrói e aumenta dia a dia
e me acorrenta a um passado que já passou
enferma estou, a espera da cura
que me leve para longe do ontem
e me traga de volta ao hoje.

Aonde está você agora, felicidade?

Já te busquei dentro de mim,
já recriei teu espaço na vida,
só falta você chegar e tomar posse.
desse corpo, dessa mente, dessa vontade.
fique, pois, à vontade.

sábado, setembro 26, 2009

lágrimas, chuva..e uma pitada de realidade

já dizia uma antiga canção "saber amar é deixar alguém te amar". Pois bem. Algumas dúvidas me assolam nesse instante em que a chuva cai com força na terra. Mas minhas inquietações nada tem a ver com a força da natureza, mas sim, com uma metáfora que remete a chuva: o choro.
Quantas vezes choramos por alguém que não nos deixou amar? Quantas vezes nos sentimos palhaços estúpidos, um pierro apaixonado por um vazio no espaço? Princesas idiotas a espera de um nada encantado sapo?
Quero dizer que muitas vezes sofremos e nos culpamos por nos encantar (apaixonar, envolver, deixar levar..) por um outro ser que não corresponde aos nossos desejos e expectativas.. e apartir daí, criamos uma bolha em torno de nós mesmos, impedindo que outras borboletas se aproximem.
Ficamos com medo. Medo de "quebrar a cara". Medo de chorar. Medo de sofrer, de se iludir. Medo. Medo. Medo. E o medo, é algo natural do ser humano, assim como a chuva é para a natureza. É natural e necessário. O medo, embora nos trave, por outro lado, nos faz pensar 300 vezes antes de tomar uma atitude. Tenta nos trazer a esfera da realidade, da racionalidade.
Aí está minha dúvida: quanto mais racional, menos emocional, ainda há espaço para a paixão?
Quanto mais eu penso nas possibilidades, mais acabo por afastá-las de mim. Quanto mais controlo meus ímpetos impulsivos, mais eles vão desistindo de re-acontecer. Quanto mais penso sobre o "sim", mais faço o "não". Pois o tempo de fazer transporto para o tempo de imaginar cenas e desfechos. Triste, acabo trocando o real pelo virtual. A paixão por uma vaga possibilidade.
E vou resemantizando a solidão.
De repente, o jogo está virando e eu não percebi. Talvez quem não saiba mais deixar o outro amar, seja eu mesma.
Lágrimas porque é triste o fim.
O meu fim.
Inerte, solitária.
O desejo é afogado pelo medo plantado pela dúvida.
E a vontade sozinha, não tem força. Precisa que o vento a empurre para o precipício ou ao paraíso.

terça-feira, setembro 22, 2009

felicidade instantânea

alguns minutos de felicidade instantânea, por hoje, me bastam.
assim como teu sorriso instatâneo, teus olhos castanhos... intensos.
ah. Minha felicidade instatânea, tão breve quanto uma conversa entre dois que se encontram em sentidos opostos. Um vai, outro vem. Param para um dedo de prosa instatânea, pois os compromissos... chamavam para longe.
Instantâneamente, meus gestos fisicamente paralizados, mas mentalmente realizados mudavam o desfecho do "até mais".

e agora o que me resta?
deliciar um chocolate, pensando em ti.
satisfação, praticamente, instantânea.
serotoninas em meu sangue,
felicidade no meu coração.
e o desejo de que a distância até o próximo encontro seja instantânea.

te quero por perto,
te quero sim.
garoto dos óculos.

sexta-feira, setembro 18, 2009

Em prosa

Chegou em casa cansado de um dia de trabalho. Atirou a sacola velha e surrada do ombro para o sofá. Em seguida, os sapatos foram deixados no caminho para o quarto. No corredor a camisa, impregnada pelo cheiro da rua. Das pessoas estranhas. Dos lugares comuns e incomuns.
Jogou-se na cama. Suspirou. Olhou para o teto branco, com o canto levemente mofado. Fechou os olhos para esconder de si mesmo que as rotinas produtivas do lar estavam em atraso. Faxina a fazer, roupas a lavar, passar... geladeira praticamente vazia e a pia transbordava de louça com restos de ontem.
Estendeu o braço, pegou o controle remoto e ligou o CD player. Algum prazer, a vida ainda devia lhe permitir, pensou. Fechou os olhos e respirou fundo. Dor nos pés, nas costas, na cabeça... ainda ouvia as vozes das pessoas estranhas da rua. Reclamações, choros e protestos. O dia foi pesado.
Na transição entre o sono e o sonho, sentiu que algo tocara seu peito. Passou a mão como quem espanta algum inseto e nada encontrou. Sentiu uma respiração próxima ao seu ouvido, mas antes que pudesse abrir os olhos, ela já havia encoberto-os. A voz suave apenas pediu que permanecesse imóvel, sem reagir. Sem saber porque, ele aceitou.
- Seria um assalto? Um sequestro? Não tenho nada de valor...
Ela pediu silêncio. Ele obedeceu. Estava cansado demais para pensar em alguma estratégia, para desvendar os olhos e se livrar da intrusa.
Sentiu as mãos dela, desenharem seu rosto. Delicadamente, beijou-lhe a face e pediu, mais uma vez, para permanecer imóvel.
Sentiu quando os cabelos dela roçaram seu peito no prenúncio do encontro dos corpos. Estava nua e pediu que permanecesse imóvel. Provocou. Beijou-lhe a boca, o peito, acariciou o tórax e os braços do homem cansado. Provocou até que o impulso domou a razão, a regra quebrou-se e o imóvel tornou-se móvel. Dança de corpos, gostos e sensações.
Adormeceu nos braços dela. Sem sequer, ver seu rosto. Permanecera o tempo todo de olhos vendados, rendido às percepções sensoriais.
No dia seguinte, ao despertar do velho relógio, finalmente viu a luz do sol. Sábado. Dia de descanso.
A única lembrança que restara do dia anterior, foi uma marca de batom no seu rosto. E caída, debaixo da cama, uma tira de cetim negro perfumado, com um número de telefone bordado.
A venda da noite a espera de uma ligação nunca fora encontrada.

sábado, setembro 12, 2009

Caminhos que se cruzam?

Queria tanto te dizer que
não sei mais qual sentido tens para mim.
alguém para dividir gargalhadas de infames bad jokes...
Te quero por perto.
queria tanto entender o que se passa aqui.
E se há algum sentido no que sinto quando olho dentro dos teus olhos castanhos.
Seria apenas encanto por ter encontrado, ao acaso, tamanha eloquência vinda de lábios tão finos e de sorriso fácil?
Ou seria algo mais profundo?
Hoje, notei que as linhas da tua mão se assemelham às minhas.
Caminhos que se cruzam?
Ao acaso, por acaso?
És tu?
O cavaleiro das sombras que vem acompanhar minha alma em uma trajetória de final desconhecido?
És tu minha turbulência e meu porto seguro?
O acalento das minhas dúvidas e o suspiro de meus desejos?

ah, felicidade.
estou confusa.
porque não me ajuda a encontrar o caminho por entre as pedras?

sexta-feira, agosto 28, 2009

Sentidos

sopra o vento leste
desde que me deste
deste lado do riso
um canto sossegado
de olhos calmos
de palavras pensadas e ditas va ga ro sa men te

o vento leste
que trouxeste
até meus sentidos sensoriais
sensações antes não sentidas
não experimentadas pelo meu olfato
ah, teu perfume.

como o vento oeste pudera esconder-me durante tanto tempo tal relíquia?
como pudera privar-me destas sensações sentidas e sinestésicas?
audição, visão, olfato... falta-me apenas o paladar do tato.
Que gosto há de ter a tua pele?

domingo, agosto 23, 2009

I just

I just wait
I wait for you
for me
for us

I just want
want you
with me

Cause...
You live in my mind
and I don't knwon how leave you away

I have trying forget your eyes
but, I don't get
I want taste your lips
and forget the time...

quinta-feira, agosto 20, 2009

tic tac

tic tac

o som único
aterrorizante
que invade a noite fria e solitária

tic tac
tic tac

o tempo passa
segundo a segundo
e o sono não vem

tic tac
tic tac
tic tac

ele não para
madrugada a dentro
invade meus pensamentos

tic tac
tic tac
tic tac
tic tac

ainda estou acordada
e o tempo
lambendo meus pés.

quinta-feira, agosto 13, 2009

Leve, leve...

Leve, leve...
brisa leve-me daqui
leve-me para alí

Leve, leve...
de alma leve
de sorriso leve

Leve, leve...
voa pelo ar
até chegar ao destino

destino que não é fim.
é começo.

de sussuros ao pé do ouvido
de beijos no canto do sorriso
de mãos tremulas e abraços aquecidos

leve, leve...
leve-me para alí
leve-me para perto
leve-me para dentro
dos teus pensamentos

si, te quiero.

sexta-feira, agosto 07, 2009

Vento: o analista.

E quando o vento sussurar ao pé do teu ouvido,
que o tempo que tanto querias, perdeu-se no ar?
Ah, menina. Não finjas, a durona.
Teu coração é tão doce. Teu beijo, tão desejoso.
Por que isso agora?
Por que dar adeus, a algo que nunca saiu da potência.
Do virtual? Do pensamento?
Por quê???

Faço uma cara de assutada. Inspiro fundo e antes que minhas cordas vocais produzam, enfim, alguma sonoridade, o Vento toma a palavra e me acusa:

Tens medo.
Sequer consultou o que as cartas do tarot iriam dizer sobre
esse que invade tuas idéias, toma parte dos teus sonhos.
Tens medo. Mas, misteriosamente, parece que tens certeza...
de ter encontrado, alguém, com essência além dos tons de cinza.
Alguém para colorir teu dia. Iluminar teu sorriso e aquecer teus delírios...

Mas a certeza, é revestída por dúvidas. Como posso saber se é, se não provei? Pode ser tudo ilusão... e é este meu medo. Cerrar os olhos a uma paixão sem lógica!

JUSTAMENTE! - sopra, satisfeito, o Vento.
Já vistes alguma paixão fundada na razão?? Não, menina. A paixão é fruto do sentimento. Daquela alegria instantânea e, depois, do pulso que pulsa, do coração pulsante... e até das borboletas.
A paixão nasce, assim, do nada. E pode ser o tudo.

Ok, Ok. Vento. Você venceu. Mas prefiro não transportar uma vontade, uma idéia nascida numa troca de olhar... em paixão. Talvez, uma predisposição... um encanto. Concordas?

VUUUUUUUUUUU encanto. Essa palavra é mágica. Aceito.
Estás, portanto, encantada.
Como nos contos de fadas a espera...

Calma lá, Vento!
Nada de príncipes do beijo encantado e do felizes para sempre!
Sabes muito bem que não acredito mais em príncipes. Acredito em seres reais, de carne e osso. Que acertam, erram. Seres perfeitos, não existem. E é essa a graça da vida. Aprender que as diferenças podem fazer a unidade.


Então, vais deixar ele se aproximar?
Haverá história?

Se houver reciprocidade...

Se teu medo te impede de agir, não pode impedir os outros agirem... não pode evitar que outros pensamentos sejam desenhados no abstrato dos sonhos.
Deixe apenas, o desejo tomar forma.
E lance tua alma aos Ventos...
Lembra do que disse Voltaire?

Sim, eu lembro.

segunda-feira, julho 27, 2009

Um belo dia, resolvi mudar

Um belo dia acordei com uma sede diferente.
Uma sede de questionar o mundo.
Que mundo é esse que vivemos? Que relações mais efêmeras, líquidas e vazias preenchem a cada dia nossas ditas "comunidades virtuais". Comunidades, que estão, cada vez mais, distantes do verdadeiro sentido do "comum" e mais próximas do "virtual": a potência de algo, aquilo que ainda não é, mas que um dia poderá ser.
Em meio a tantos pensamentos inquietantes, o bichicho da "verdade crua e nua" me mordeu. E me vi desprovida de razões fundamentadas na frente do espelho. Oras, tornara-te igual às outras! Queres substituir o real pelo virtual na mesma velocidade do clic. Satisfação imediata ou seu dinheiro de volta!! Quanta estupidez.
Aonde fica o "tijolinho por tijolinho" que solidifica e dá base para as relações? No vazio do espaço... no vazio das ilusões. Na mentira contada para satisfazer o medo da solidão. E a verdade é sempre camuflada. Até que um belo dia, a gente acorda, e vê o mundo com outros olhos. E descobre que o tudo é o nada. E o nada pode ser o tudo.
Acho que não tenho mais idade para os amores platônicos.
Adeus, garoto dos óculos.

sábado, julho 11, 2009

Ganhou sem saber.

Ontem você ganhou.
Você ganhou sem saber.
Sem saber que estava em jogo.
Em jogo sem lógica.
Sem lógica, só sentimento.

Ontem você ganhou.
Você ganhou sem saber.
Ganhou.
O meu apreço.
A minha malícia.
E o meu desejo se desloca a ti.

Você ganhou.
Piercings, tatuagens e outros ornamentos não são teus atributos.
Você ganhou, apenas com teu sorriso, fácil, teu triunfo.

Ontem você ganhou.
Ganhou sem saber.
Ganhou por ser apenas você, com seus óculos.

quinta-feira, julho 02, 2009

Laranjas

Não acredito na história da metade da laranja.
Prefiro as laranjas inteiras.
Um ser incompleto, não encontra sua completude em outro incompleto.
Sempre irá faltar algo.
Já, as laranjas completas... ah, essas rendem um bom suco!

Eu me considero uma laranja inteira.
A espera de outra, igualmente inteira.
Para, então, somar.
Afinal, a soma de dois inteiros é maior que a soma de duas metades.

sexta-feira, junho 12, 2009

Clara conclusão para um dia dos namorados, não?

A verdade não precisa ser dita.
A verdade é vista, a verdade existe por si.
Ela anda por aí, é livre.

Já a mentira... ah, a mentira.
A mentira só existe quando dita.
Ela sempre está presa, presa a algo que não aconteceu.

Clara conclusão para um dia dos namorados, não?
Sim, eu sei.

Dizer "eu te amo" pode ser a mesma coisa que jogar palavras sem nexo ao vento.
Pode ser a mesma coisa que mentir. Um perfeito disfarce para um sentimento vazio. E quando menos se espera, acabou o amor??? Sempre desconfiei destes casais que dizem "te amo" a torto e direito...

Não. Não é isso que quero para mim. Nunca quis um papagaio que repete, repete, repete algo que desconhece.

Quero olhos nos olhos.
E a verdade vista, a olhos nus.
Já senti isso uma vez e a certeza permanece viva.
Acabou a relação, mas o carinho mútuo continua.
A paixão deu lugar ao respeito.
E não há amor sem respeito.

Enfim, dizer "eu te amo" não quer dizer nada.
Clara conclusão para 12 de junho, não?

segunda-feira, junho 08, 2009

Rendida numa trama imaginária

Pronto.
Eu me rendo.
Ao teu sorriso de canto,
ao teu canto de malandro,
a tua malandragem de menino.

Eu me rendo,
aos teus olhos castanhos,
escondidos sob o reflexo das lentes.

Eu me rendo,
a esta história sem começo.
Sem meio nem fim.

Eu me rendo a aquilo que não posso controlar.
Não te escolhi.
Foi teu olhar que me pescou numa tarde fria.
E me fez pensar que talvez ouvesse algum sentido
Nesse desejo devaneio, imaginação.

Rendida estou, garoto dos óculos.

domingo, maio 31, 2009

Adeus a um quase talvez amor

Não.
Sorrisos falsos não me bastam.
Sentimentos falsos não me bastam.
Aprender a mentir, num mundo de fantasias é fácil.

Difícil é olhar no espelho
É encarar o outro que te miras, te denuncia.

Não.
Não quero mais amores de mentira.
Nem sentimentos infundados.

Se for para me decepcionar,
que seja logo. Que seja breve.
Tão breve quanto o segundo que passa.
Tão logo quanto o minuto seguinte.

Antes que o calor se faça, em meio a este frio
Antes que o desejo arda como a brasa
Antes, bem antes...

Se vá,
feito fumaça.
Evapore pelo ar,
sem deixar traços, rastros.

sábado, maio 16, 2009

Susurros de um desejo não revelado

Ao pé do teu ouvido,
não restam mais palavras.
Apenas brincos.
Brilhos, cores, amores.
Susurros de um desejo não revelado.

Ao pé do teu ouvido,
a vontade dita,
foi apenas um suspiro...

Alí, no pé do teu ouvido,
faltou coragem.
Sobrou vontade.

Ao pé do meu ouvido,
Te quero.

domingo, maio 10, 2009

síndrome de Narciso

Era uma vez, um rapaz que tinha a síndrome de Narciso. Ele pensava que todo o mundo admirava, que todo mundo queria sua atenção. Que era o mais belo, o mais forte, o mais másculo, o mais interessante e desejável rapaz da aldeia.
Sua convicção era tamanha, que chegava a desconfiar que os outros rapazes o invejavam e tramavam armadilhas para destruir seu encanto. O rapaz sentia que seu poder de sedução era tão intenso que era capaz de despertar interesses homossexuais em outros rapazes.
Era tão convencido que não percebia a diferença entre um amigo e um enamorado. Não aceitava ser rejeitado pelas moças e muito menos ter seus dotes físicos diminuídos. O rapaz, já em desepero, usava da violência para manter sua suposta supremacia. Suas palavras baixas, suas brincadeiras de mau gosto exteriorizavam aquilo que todos sabiam, mas ele não entendia: não se pode comprar o amor das pessoas.

terça-feira, maio 05, 2009

Pudera eu...

Pudera eu parar o tempo,
Voltar os minutos passados,
E transformar o segundo atrás em segundo futuro.

Pudera eu te esperar
com a roupa limpa,
a casa em ordem,
e um sorriso novo...

Pudera eu parafrasear os versos,
dos verbos dos poetas,
para te dizer o indidizível.

Pudera eu te dizer,
aquilo que eu não entendo?
Tão simples, tão tranquilo.
Tão você.

Pudera eu te dizer,
que teu lugar é aqui,
ao pé do meu ouvido?

quinta-feira, abril 30, 2009

Uma só palavra.

Para hoje, uma só palavra basta.
Para hoje, uma só palavra conforta.
Para hoje, uma só palavra diz o que deve ser dito.

CONFIANÇA.

Confio em você.
Sei que você é capaz.
Ah, garoto dos óculos, confiança!

domingo, abril 26, 2009

Por trás da lentes

Por trás das lentes dos óculos, um mundo a ser desvendado.
Um mundo a ser contado, experimentado.
Os olhos, por trás das lentes dos óculos, brincavam de seduzir. As lentes os protegiam do contato direto, do calafrio. Assim, ele pode sentir a sensação de fitar os olhos castanhos dela, tão vivos, tão desprotegidos, tão intensos... sem temer que os olhos nos olhos o fizessem corar a face.
Mas, mal sabia ele que as lentes não protegeriam sua voz. As palavras ditas, engasgadas, tropeçavam no ar. E o pulso acelerado induziu a um pequeno e breve rubor. Ela notou.
Ela notou que por trás das lentes dos óculos haviam dois olhos ávidos por sua atenção. Por trás das lentes dos óculos, havia um mundo a ser desvendado. Um mundo a ser contado, experimentado. Havia um coração a ser amado.
Ela sorriu.

quinta-feira, abril 02, 2009

Dois quilos

- Moço, me vê dois quilos de tempo?
- Inteiro ou em pedaços?
Penso um pouco e decido:
- Um quilo inteiro, para os trabalhos urgentes. E um quilo em pedaços, bem pequenos, para que eu possa apreciá-lo vagarosamente.
- Vagarosamente? Se são pedaços pequenos irá acabar logo, moça!
- Não, não irá acabar. Poderei usar um pouquinho todo dia, para ver o pôr-do-sol. O pouco de cada dia, formará o muito de um mês.
- Ah, sim. Tens razão. Então, cortarei cada pedaço no tamanho de um anoitecer.
E assim fez o moço, aquele que vende tempo em quilos. Sonhos em unidades e detalhes em milímetros.

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Esqueci!

Esqueci o que eu queria dizer!
Esqueci o que eu queria fazer!
Esqueci o que eu poderia conter.

Esqueci do tempo.
Da roupa no varal.. que a chuva molhou.
Da panela no fogão, que o fogo queimou.
Do cabelo solto, que o vento bagunçou.

Esqueci das coisas importantes,
mas, principalmente, das irrelevantes.
Esqueci...
Esqueci...

Esqueci de te amar,
de te adorar,
de te esperar.

Esqueci de ti quando me encontrei.

sábado, fevereiro 07, 2009

Simples

Às vezes é muito difícil verbalizar o que sentimos.
Traduzir sentimentos em palavras, sem hipérboles que inspiram a falsidade, por vezes, é uma dádiva pertencente apenas aos poetas.
Transformar o complexo, confuso e confesso em simples versos é quase como andar em um carrossel tentando alcançar quem está a nossa frente.
E quando a gente tenta falar, a garganta seca, o coração pula e as lágrimas querem sentir o ar da liberdade.
Emoções e dramalhões à parte, com vocês:

Simples
Nenhum de Nós
Composição: Thedy Corrêa

Queria te dizer palavras simples
Que guardariam tudo o que eu sinto
E pelo simples fato de te dizer
Mais forte ficaria meu sentimento

Mas nada que eu diga me parece exato
Nada que eu pense tem um sentido claro
Nenhuma canção vai me ajudar a descobrir

O que aconteceu conosco foi imenso
Um sentimento tão intenso
Que eu não encontro
As palavras certas não existem
No universo inteiro

Queria te dizer palavras simples
Queria te dizer palavras simples
Mas as palavras certas não existem
No universo inteiro
As palavras certas não existem
No universo inteiro

Queria te dizer palavras simples
Queria te dizer


ps. Obrigada taty, por motivar, involuntariamente, este post.

 nenhum de nós - Simples

sexta-feira, janeiro 23, 2009

as 7 maravilhas do meu mundo

Se você tivesse que listar as 7 coisas sem as quais não conseguiria viver, o que você escolheria?
A pergunta, embora pareça de fácil e rápida resposta, revela o quão pode ser instigante este desafio. Não se trata apenas de enumerar objetos, pessoas, enfim, coisas que consideramos importantes ou que gostamos. Trata-se de avaliar o que somos, quem somos e como somos. Trata-se, acima de tudo, de fazer escolhas (como tudo na vida, aliás).
Se são 7 coisas necessárias a minha vida, suponhamos que a falta de uma delas, levaria meu corpo, mente e sanidade a um complexo estado, praticamente, irreversível. E se eu estou vivinha da silva, aqui postando, é pq estas 7 coisas, estão, de um modo ou de outro, presentes neste momento em mim (seja pela força do pensamento, seja pelos poderes de Grayskull). Pois, foi assim que encarei o desafio, proposto pelo meu amigo-guru, Cordeiro.
Depois de muito matutar, aí estão, as 7 maravilhas do meu mundo! Deixando claro que os números não se tratam de hierarquias... apenas referências!

1 - Oxigênio: atire a primeira pedra quem não precisa deste fabuloso elemento, diretamente em seus pulmões! Com a crescente poluição urbana, o que eu mais preciso é ar puro, para respirar!

2 - Água: tão necessária quanto o item anterior. Ainda não inventaram nada melhor que H2O gelada para matar a sede. Além do mais, aproximadamente, 60% do corpo de um adulto é formado por água! Logo, nosso corpo, assim como nosso planeta é majoritariamente composto por esse líquido vital.

3 - Comida: embora eu não seja do tipo que "vive para comer", reconheço que "saco vazio não para em pé". Então, aqui está, o item referente aos carboidratos, proteínas, vitaminas, sais minerais e etc. Eu como para viver. E, viver, de preferência, com saúde. Excluo definitivamente deste item, os temperos fortes, artificiais... e o leite.

4 - Energia elétrica: pode parecer exagero. Mas pense sua vida sem energia elétrica. Banho gelado no inverno? Caixa de isopor no lugar de geladeira? Lampião cheirando a querosene dentro do quarto? TV, computador plugados onde? Viva a melhor invenção humana: luz!

5 - Afeto: como já dizia Lulu Santos, "eu não sei viver sem ter carinho, é a minha condição". Incluo aqui família, amigos e todas pessoas especiais para mim. A quem dedico um cantinho no lado esquerdo do peito.

6 - Pensamento positivo: sorrir e ver o lado positivo das coisas, sempre! Caiu, bateu, escorregou? Talvez Gelol ajude na dor física. Mas só vendo o lado positivo, isto é, o aprendizado, verdadeiramente contribui para as cicatrizações. Levantar a cabeça é seguir adiante, firme e com alegria é fundamental.

7 - Sonhos: sonhar acordada, imaginar situações inusitadas. Deixar o pensamento levar para paisagens distantes... isso é essencial para mim. Adoro me perder nos sonhos, cavalgar nos desvaneios. Não só sonhar, mas por tudo no papel. Ajuda a entender a realidade, a exercitar a criatividade e planejar o futuro. Foi a força que motivou a existência deste blog. Sem falar que dava pra escrever um livro!



E quais são as 7 maravilhas do seu mundo, caro leitor?

sábado, janeiro 17, 2009

História

eu tinha vontade
vontade de escrever
escrever uma história
de uns olhos castanhos
que me intrigam, me provocam

eu tinha vontade
vontade de viver
viver uma história
com uns olhos castanhos
que me causam reações adversas...

mas a história não será escrita
a história não existirá
aqueles olhos a outra pertecem
 
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