sexta-feira, agosto 07, 2009

Vento: o analista.

E quando o vento sussurar ao pé do teu ouvido,
que o tempo que tanto querias, perdeu-se no ar?
Ah, menina. Não finjas, a durona.
Teu coração é tão doce. Teu beijo, tão desejoso.
Por que isso agora?
Por que dar adeus, a algo que nunca saiu da potência.
Do virtual? Do pensamento?
Por quê???

Faço uma cara de assutada. Inspiro fundo e antes que minhas cordas vocais produzam, enfim, alguma sonoridade, o Vento toma a palavra e me acusa:

Tens medo.
Sequer consultou o que as cartas do tarot iriam dizer sobre
esse que invade tuas idéias, toma parte dos teus sonhos.
Tens medo. Mas, misteriosamente, parece que tens certeza...
de ter encontrado, alguém, com essência além dos tons de cinza.
Alguém para colorir teu dia. Iluminar teu sorriso e aquecer teus delírios...

Mas a certeza, é revestída por dúvidas. Como posso saber se é, se não provei? Pode ser tudo ilusão... e é este meu medo. Cerrar os olhos a uma paixão sem lógica!

JUSTAMENTE! - sopra, satisfeito, o Vento.
Já vistes alguma paixão fundada na razão?? Não, menina. A paixão é fruto do sentimento. Daquela alegria instantânea e, depois, do pulso que pulsa, do coração pulsante... e até das borboletas.
A paixão nasce, assim, do nada. E pode ser o tudo.

Ok, Ok. Vento. Você venceu. Mas prefiro não transportar uma vontade, uma idéia nascida numa troca de olhar... em paixão. Talvez, uma predisposição... um encanto. Concordas?

VUUUUUUUUUUU encanto. Essa palavra é mágica. Aceito.
Estás, portanto, encantada.
Como nos contos de fadas a espera...

Calma lá, Vento!
Nada de príncipes do beijo encantado e do felizes para sempre!
Sabes muito bem que não acredito mais em príncipes. Acredito em seres reais, de carne e osso. Que acertam, erram. Seres perfeitos, não existem. E é essa a graça da vida. Aprender que as diferenças podem fazer a unidade.


Então, vais deixar ele se aproximar?
Haverá história?

Se houver reciprocidade...

Se teu medo te impede de agir, não pode impedir os outros agirem... não pode evitar que outros pensamentos sejam desenhados no abstrato dos sonhos.
Deixe apenas, o desejo tomar forma.
E lance tua alma aos Ventos...
Lembra do que disse Voltaire?

Sim, eu lembro.

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