quarta-feira, abril 30, 2008

O que os olhos não veêm

Nunca mais
desvie os teus olhos dos meus

Mesmo que tua mão esteja segurando outra
Mesmo que teu beijo esteja beijando outra
Mesmo que teu abraço esteja acariciando outra

Nunca mais
desvie os teus olhos dos meus

Nem fique visivelmente atordoado, perdido
Sem saber o que fazer
Só porque meus olhos cruzaram com os teus

Nunca mais
desvie os teus olhos dos meus

Como tens feito ultimamente
Aquela que segura tua mão pode notar
E pode estranhar teu silêncio repentino

Nunca mais
desvie os teus olhos dos meus

Pois,
posso pensar que guardas algum tipo de mágoa,
ou que ainda me amas.

Nunca mais
desvie os teus olhos dos meus

O que os olhos não vêem, o coração não sente.
O que os olhos não vêem, a fisionomia não demonstra.
O que os olhos não vêem, o silêncio não esconde.

domingo, abril 27, 2008

Jogo solitário

Cansei desse jogo sem vitórias.
Sem derrotas.
Só empate. Empate técnico.

Estou com as cartas na mão.
Não há cartas na manga, nem mentiras, nem meias verdades.
A verdade é uma única só.
Única e verdadeiramente verdade.

Estou com todas as fichas.
Mas não há jogadores.
Não existem apostas.

Apenas eu, as cartas e as fichas.
Num jogo interminável.
Interminável solidão.

domingo, abril 20, 2008

Trens

Cada pessoa é um trem. Não há como negar.
A máquina, a fatia de nossa personalidade que mostramos aos outros. Talvez a nossa superficialidade.
Os vagões, o conjunto do nosso "eu". Nossas "n" identidades, identificações, gostos, histórias, vitórias, derrotas. Enfim, o conjunto de nossas experiências pessoais (incluindo as influências do meio em que vivemos).
E a vida??
A vida é a vigem, pelo trilho.
Trilho, esse, desconhecido, incerto. Cheio de altos, baixos... túneis e belas paisagens. Assim, como uma metamorfose ambulante, nosso caminho se faz ao caminhar.
E o destino?
Encontrar uma estação - a do autoconhecimento.


("As pessoas são trens": concordo com você, amigo Cordeiro)

sábado, abril 05, 2008

Porque toda propaganda de cerveja tem mulher?

Brasil. Verão. Campanha publicitária. Cerveja. O cenário se repete. E a questão também. Com tanta criatividade, porque nossos publicitários investem na velha forma persuasiva: num jogo de esconde e mostra, modelos esculturais, biquíni, decotes provocantes, saias curtíssimas... muita diversão e marmanjos bebendo e "babando"?

Fugindo de qualquer tipo de discurso feminista, e com a plena consciência de que outros motes (que não exploram a beleza e sensualidade feminina) simplesmente não vingam nos comerciais de cerveja, a questão torna-se pertinente.

Será que o comportamento típico do brasileiro ou o comportamento desenhado há anos pela mídia, considera todo homem um conquistador, uma espécie de "Dom Juan" tupiniquim? E assim, a mulher (objeto de desejo) torna-se a grande força motivadora para o consumo?

Até que ponto a as belas curvas funcionam para vender cerveja?
Será que a fórmula tão repetida gerou costume? Associar mulher e cerveja, tornou-se senso comum e, portanto, ainda garante bons rendimentos aos fabricantes?

Ou todas estas suposições estão erradas?
O que determina "tanta criatividade" em torno dos mesmos objetos (a garrafa, a bebida, a mulher, o homem e o clima de sedução) é cultural?
É provável que, enquanto nossos "meninões" agirem e pensarem como se estivessem no tempo das cavernas, interessados em garantir seu espaço e sua fêmea frente a outros machos, ainda sejam convencidos a comprar em função de um belo par de pernas.

Enquanto a velha fórmula funcionar, este tipo de exposição permanecerá, verão após verão. E como consequência, o sentido de verdade "absoluta" tende a se manifestar. Afinal, é o que a propaganda, em geral, sempre mostra (e de um ou de outro modo, a mídia influencia os padrões de comportamento). E numa bola de neve, algumas parcelas da população acreditarão piedosamente que consumir aquela cerveja, vai ajudar a conquistar aquela mulher dos sonhos.

A dúvida permanece.
 
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