segunda-feira, maio 09, 2011

Memórias

Minha memória anda falhando.
Não consigo mais lembrar tão bem quanto antes dos detalhes do teu rosto.
Nem mesmo da sequência exata de alguns fatos que, outrora, pensava eu, jamais esqueceria.
Mas... eles foram se apagando da minha memória.
Os acontecimentos e os teus gestos.. estão indo, aos poucos, para um lugar que desconheço e não tenho acesso.
Se tento lembrar o resultado é uma profusão confusa. Risos, mãos, toques, sons indescritíveis. Lugares poluídos, histórias desconexas, misturas de momentos isolados. Sem sentido. Como um sonho que se mistura à realidade.. e portanto, não se sabe se a imagem que se tem em mente é verdade vivida ou ilusão adormecida.
Minha memória anda falhando.
Onde foi mesmo que guardei a chave das lembranças?

terça-feira, maio 03, 2011

A noite dos zumbis

É triste quando numa noite assim, fria e calada, se descobre um corpo e um rosto desconhecidos, apagados, opacos. Como um morto-vivo te espreitando no espelho.
A imagem que reflete não tem mais o tal brilho no olhar, não tem o sorriso nos lábios... o cabelo, ah, o cabelo... pode-se chamar isso de cabelo? Definitivamente, parte desse corpo já morreu, a outra finge que vive... da rotina, do fazer sempre o mesmo, de novo, mais uma vez. Cansado, não reclama. Apenas segue na sua batida. Não questiona, não pergunta. Apenas aceita. Não inventa nem inova. Sempre o mesmo rito, o mesmo ritmo, calmo, lento, silencioso.
As mãos frias encontram os ossos do corpo magro, seco, descuidado. Frágil. Não há calor, apenas o frio da noite e a companhia da escuridão. Não há cobertores nem aquecedores capazes de reviver esse corpo, nem mesmo retirar essas olheiras profundas ao amanhecer. Há uma falta.
É triste quando numa noite assim, fria e calada, se descobre um coração parado. Como um morto-vivo dentro do peito.
 
Site Meter