É triste quando numa noite assim, fria e calada, se descobre um corpo e um rosto desconhecidos, apagados, opacos. Como um morto-vivo te espreitando no espelho.
A imagem que reflete não tem mais o tal brilho no olhar, não tem o sorriso nos lábios... o cabelo, ah, o cabelo... pode-se chamar isso de cabelo? Definitivamente, parte desse corpo já morreu, a outra finge que vive... da rotina, do fazer sempre o mesmo, de novo, mais uma vez. Cansado, não reclama. Apenas segue na sua batida. Não questiona, não pergunta. Apenas aceita. Não inventa nem inova. Sempre o mesmo rito, o mesmo ritmo, calmo, lento, silencioso.
As mãos frias encontram os ossos do corpo magro, seco, descuidado. Frágil. Não há calor, apenas o frio da noite e a companhia da escuridão. Não há cobertores nem aquecedores capazes de reviver esse corpo, nem mesmo retirar essas olheiras profundas ao amanhecer. Há uma falta.
É triste quando numa noite assim, fria e calada, se descobre um coração parado. Como um morto-vivo dentro do peito.
terça-feira, maio 03, 2011
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