já dizia uma antiga canção "saber amar é deixar alguém te amar". Pois bem. Algumas dúvidas me assolam nesse instante em que a chuva cai com força na terra. Mas minhas inquietações nada tem a ver com a força da natureza, mas sim, com uma metáfora que remete a chuva: o choro.
Quantas vezes choramos por alguém que não nos deixou amar? Quantas vezes nos sentimos palhaços estúpidos, um pierro apaixonado por um vazio no espaço? Princesas idiotas a espera de um nada encantado sapo?
Quero dizer que muitas vezes sofremos e nos culpamos por nos encantar (apaixonar, envolver, deixar levar..) por um outro ser que não corresponde aos nossos desejos e expectativas.. e apartir daí, criamos uma bolha em torno de nós mesmos, impedindo que outras borboletas se aproximem.
Ficamos com medo. Medo de "quebrar a cara". Medo de chorar. Medo de sofrer, de se iludir. Medo. Medo. Medo. E o medo, é algo natural do ser humano, assim como a chuva é para a natureza. É natural e necessário. O medo, embora nos trave, por outro lado, nos faz pensar 300 vezes antes de tomar uma atitude. Tenta nos trazer a esfera da realidade, da racionalidade.
Aí está minha dúvida: quanto mais racional, menos emocional, ainda há espaço para a paixão?
Quanto mais eu penso nas possibilidades, mais acabo por afastá-las de mim. Quanto mais controlo meus ímpetos impulsivos, mais eles vão desistindo de re-acontecer. Quanto mais penso sobre o "sim", mais faço o "não". Pois o tempo de fazer transporto para o tempo de imaginar cenas e desfechos. Triste, acabo trocando o real pelo virtual. A paixão por uma vaga possibilidade.
E vou resemantizando a solidão.
De repente, o jogo está virando e eu não percebi. Talvez quem não saiba mais deixar o outro amar, seja eu mesma.
Lágrimas porque é triste o fim.
O meu fim.
Inerte, solitária.
O desejo é afogado pelo medo plantado pela dúvida.
E a vontade sozinha, não tem força. Precisa que o vento a empurre para o precipício ou ao paraíso.
sábado, setembro 26, 2009
terça-feira, setembro 22, 2009
felicidade instantânea
alguns minutos de felicidade instantânea, por hoje, me bastam.
assim como teu sorriso instatâneo, teus olhos castanhos... intensos.
ah. Minha felicidade instatânea, tão breve quanto uma conversa entre dois que se encontram em sentidos opostos. Um vai, outro vem. Param para um dedo de prosa instatânea, pois os compromissos... chamavam para longe.
Instantâneamente, meus gestos fisicamente paralizados, mas mentalmente realizados mudavam o desfecho do "até mais".
e agora o que me resta?
deliciar um chocolate, pensando em ti.
satisfação, praticamente, instantânea.
serotoninas em meu sangue,
felicidade no meu coração.
e o desejo de que a distância até o próximo encontro seja instantânea.
te quero por perto,
te quero sim.
garoto dos óculos.
assim como teu sorriso instatâneo, teus olhos castanhos... intensos.
ah. Minha felicidade instatânea, tão breve quanto uma conversa entre dois que se encontram em sentidos opostos. Um vai, outro vem. Param para um dedo de prosa instatânea, pois os compromissos... chamavam para longe.
Instantâneamente, meus gestos fisicamente paralizados, mas mentalmente realizados mudavam o desfecho do "até mais".
e agora o que me resta?
deliciar um chocolate, pensando em ti.
satisfação, praticamente, instantânea.
serotoninas em meu sangue,
felicidade no meu coração.
e o desejo de que a distância até o próximo encontro seja instantânea.
te quero por perto,
te quero sim.
garoto dos óculos.
sexta-feira, setembro 18, 2009
Em prosa
Chegou em casa cansado de um dia de trabalho. Atirou a sacola velha e surrada do ombro para o sofá. Em seguida, os sapatos foram deixados no caminho para o quarto. No corredor a camisa, impregnada pelo cheiro da rua. Das pessoas estranhas. Dos lugares comuns e incomuns.
Jogou-se na cama. Suspirou. Olhou para o teto branco, com o canto levemente mofado. Fechou os olhos para esconder de si mesmo que as rotinas produtivas do lar estavam em atraso. Faxina a fazer, roupas a lavar, passar... geladeira praticamente vazia e a pia transbordava de louça com restos de ontem.
Estendeu o braço, pegou o controle remoto e ligou o CD player. Algum prazer, a vida ainda devia lhe permitir, pensou. Fechou os olhos e respirou fundo. Dor nos pés, nas costas, na cabeça... ainda ouvia as vozes das pessoas estranhas da rua. Reclamações, choros e protestos. O dia foi pesado.
Na transição entre o sono e o sonho, sentiu que algo tocara seu peito. Passou a mão como quem espanta algum inseto e nada encontrou. Sentiu uma respiração próxima ao seu ouvido, mas antes que pudesse abrir os olhos, ela já havia encoberto-os. A voz suave apenas pediu que permanecesse imóvel, sem reagir. Sem saber porque, ele aceitou.
- Seria um assalto? Um sequestro? Não tenho nada de valor...
Ela pediu silêncio. Ele obedeceu. Estava cansado demais para pensar em alguma estratégia, para desvendar os olhos e se livrar da intrusa.
Sentiu as mãos dela, desenharem seu rosto. Delicadamente, beijou-lhe a face e pediu, mais uma vez, para permanecer imóvel.
Sentiu quando os cabelos dela roçaram seu peito no prenúncio do encontro dos corpos. Estava nua e pediu que permanecesse imóvel. Provocou. Beijou-lhe a boca, o peito, acariciou o tórax e os braços do homem cansado. Provocou até que o impulso domou a razão, a regra quebrou-se e o imóvel tornou-se móvel. Dança de corpos, gostos e sensações.
Adormeceu nos braços dela. Sem sequer, ver seu rosto. Permanecera o tempo todo de olhos vendados, rendido às percepções sensoriais.
No dia seguinte, ao despertar do velho relógio, finalmente viu a luz do sol. Sábado. Dia de descanso.
A única lembrança que restara do dia anterior, foi uma marca de batom no seu rosto. E caída, debaixo da cama, uma tira de cetim negro perfumado, com um número de telefone bordado.
A venda da noite a espera de uma ligação nunca fora encontrada.
Jogou-se na cama. Suspirou. Olhou para o teto branco, com o canto levemente mofado. Fechou os olhos para esconder de si mesmo que as rotinas produtivas do lar estavam em atraso. Faxina a fazer, roupas a lavar, passar... geladeira praticamente vazia e a pia transbordava de louça com restos de ontem.
Estendeu o braço, pegou o controle remoto e ligou o CD player. Algum prazer, a vida ainda devia lhe permitir, pensou. Fechou os olhos e respirou fundo. Dor nos pés, nas costas, na cabeça... ainda ouvia as vozes das pessoas estranhas da rua. Reclamações, choros e protestos. O dia foi pesado.
Na transição entre o sono e o sonho, sentiu que algo tocara seu peito. Passou a mão como quem espanta algum inseto e nada encontrou. Sentiu uma respiração próxima ao seu ouvido, mas antes que pudesse abrir os olhos, ela já havia encoberto-os. A voz suave apenas pediu que permanecesse imóvel, sem reagir. Sem saber porque, ele aceitou.
- Seria um assalto? Um sequestro? Não tenho nada de valor...
Ela pediu silêncio. Ele obedeceu. Estava cansado demais para pensar em alguma estratégia, para desvendar os olhos e se livrar da intrusa.
Sentiu as mãos dela, desenharem seu rosto. Delicadamente, beijou-lhe a face e pediu, mais uma vez, para permanecer imóvel.
Sentiu quando os cabelos dela roçaram seu peito no prenúncio do encontro dos corpos. Estava nua e pediu que permanecesse imóvel. Provocou. Beijou-lhe a boca, o peito, acariciou o tórax e os braços do homem cansado. Provocou até que o impulso domou a razão, a regra quebrou-se e o imóvel tornou-se móvel. Dança de corpos, gostos e sensações.
Adormeceu nos braços dela. Sem sequer, ver seu rosto. Permanecera o tempo todo de olhos vendados, rendido às percepções sensoriais.
No dia seguinte, ao despertar do velho relógio, finalmente viu a luz do sol. Sábado. Dia de descanso.
A única lembrança que restara do dia anterior, foi uma marca de batom no seu rosto. E caída, debaixo da cama, uma tira de cetim negro perfumado, com um número de telefone bordado.
A venda da noite a espera de uma ligação nunca fora encontrada.
sábado, setembro 12, 2009
Caminhos que se cruzam?
Queria tanto te dizer que
não sei mais qual sentido tens para mim.
alguém para dividir gargalhadas de infames bad jokes...
Te quero por perto.
queria tanto entender o que se passa aqui.
E se há algum sentido no que sinto quando olho dentro dos teus olhos castanhos.
Seria apenas encanto por ter encontrado, ao acaso, tamanha eloquência vinda de lábios tão finos e de sorriso fácil?
Ou seria algo mais profundo?
Hoje, notei que as linhas da tua mão se assemelham às minhas.
Caminhos que se cruzam?
Ao acaso, por acaso?
És tu?
O cavaleiro das sombras que vem acompanhar minha alma em uma trajetória de final desconhecido?
És tu minha turbulência e meu porto seguro?
O acalento das minhas dúvidas e o suspiro de meus desejos?
ah, felicidade.
estou confusa.
porque não me ajuda a encontrar o caminho por entre as pedras?
não sei mais qual sentido tens para mim.
alguém para dividir gargalhadas de infames bad jokes...
Te quero por perto.
queria tanto entender o que se passa aqui.
E se há algum sentido no que sinto quando olho dentro dos teus olhos castanhos.
Seria apenas encanto por ter encontrado, ao acaso, tamanha eloquência vinda de lábios tão finos e de sorriso fácil?
Ou seria algo mais profundo?
Hoje, notei que as linhas da tua mão se assemelham às minhas.
Caminhos que se cruzam?
Ao acaso, por acaso?
És tu?
O cavaleiro das sombras que vem acompanhar minha alma em uma trajetória de final desconhecido?
És tu minha turbulência e meu porto seguro?
O acalento das minhas dúvidas e o suspiro de meus desejos?
ah, felicidade.
estou confusa.
porque não me ajuda a encontrar o caminho por entre as pedras?
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