sábado, setembro 26, 2009

lágrimas, chuva..e uma pitada de realidade

já dizia uma antiga canção "saber amar é deixar alguém te amar". Pois bem. Algumas dúvidas me assolam nesse instante em que a chuva cai com força na terra. Mas minhas inquietações nada tem a ver com a força da natureza, mas sim, com uma metáfora que remete a chuva: o choro.
Quantas vezes choramos por alguém que não nos deixou amar? Quantas vezes nos sentimos palhaços estúpidos, um pierro apaixonado por um vazio no espaço? Princesas idiotas a espera de um nada encantado sapo?
Quero dizer que muitas vezes sofremos e nos culpamos por nos encantar (apaixonar, envolver, deixar levar..) por um outro ser que não corresponde aos nossos desejos e expectativas.. e apartir daí, criamos uma bolha em torno de nós mesmos, impedindo que outras borboletas se aproximem.
Ficamos com medo. Medo de "quebrar a cara". Medo de chorar. Medo de sofrer, de se iludir. Medo. Medo. Medo. E o medo, é algo natural do ser humano, assim como a chuva é para a natureza. É natural e necessário. O medo, embora nos trave, por outro lado, nos faz pensar 300 vezes antes de tomar uma atitude. Tenta nos trazer a esfera da realidade, da racionalidade.
Aí está minha dúvida: quanto mais racional, menos emocional, ainda há espaço para a paixão?
Quanto mais eu penso nas possibilidades, mais acabo por afastá-las de mim. Quanto mais controlo meus ímpetos impulsivos, mais eles vão desistindo de re-acontecer. Quanto mais penso sobre o "sim", mais faço o "não". Pois o tempo de fazer transporto para o tempo de imaginar cenas e desfechos. Triste, acabo trocando o real pelo virtual. A paixão por uma vaga possibilidade.
E vou resemantizando a solidão.
De repente, o jogo está virando e eu não percebi. Talvez quem não saiba mais deixar o outro amar, seja eu mesma.
Lágrimas porque é triste o fim.
O meu fim.
Inerte, solitária.
O desejo é afogado pelo medo plantado pela dúvida.
E a vontade sozinha, não tem força. Precisa que o vento a empurre para o precipício ou ao paraíso.

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