“Uma” olha para “Outra” e pensa: “então é assim a vaca!”
A “Outra” não sabe o que fazer, se foge correndo porta a fora, se finge interesse em conhecê-la, se busca uma simpatia sabe-se lá de onde.
Ambas partem para a diplomacia. Não se encaram diretamente, mas fazem aquele velho ritual feminino. Trocam um “oi” sem graça, misturado com um pseudo-sorriso. Os mais desatentos podem ter até pensado que se tratava de um pouco de simpatia.
Em poucos segundos “Uma” já fez uma varredura completa sobre a “Outra”… e vice-versa.
- Ela é magra e alta, pensa “Uma”.
- Ela tem mais corpo que eu, conclui “Outra”.
- Desgraçado! me fez cortar o cabelo parecido com o da “Outra”!
- O cabelo dela não deve ser tão liso assim. Deve ter usado uma química daquelas… e essa cor aí não é natural.
- A bota dela nem salto tem! Como ele foi olhar pra essa “Outra”?
- A bota dela é novinha, com saltinho… e meio country. Que coisinha mais…
- A “Outra” tem sardas. O 13º Artigo de Fé do Gaúcho tinha razão! Perigo!
- “Uma” tem um sorriso bonito.
Passaram cinco segundos. E cada uma segue o seu caminho, “Uma” com dúvidas, “Outra” com certezas: não gostaria de esbarrar com ela novamente.
22/07/2012

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