sábado, abril 17, 2010

Mais um gole

Abriu a garrafa, sorveu o líquido no copo. Tomou um gole. Sentiu o sabor penetrar na sua língua e logo ganhar sua garganta. Com a mão direita pegou o controle remoto e ligou o rádio. Vagou entre as emissoras, com suas vozes, suas músicas e anúncios espetaculares. Bebeu mais um gole. Pegou um CD da estante e pôs para tocar no randômico. Tudo o que queria naquele momento, era fugir das ordens.
Sentou na poltrona. Fechou os olhos. Respirou fundo e buscou o alento do copo. Deixou a música e o álcool guiarem seus pensamentos.
Suas mãos fizeram doces percursos por seu corpo cansado. Do pescoço ao peito. Do peito à barriga. Da barriga às coxas. Das coxas até os pés, passando, vagarosamente por toda extensão de suas pernas. Meia garrafa vazia. E uma sensação inédita. Satisfação. Aceitação de cada pedaço de pele, antes escondida, agora mostrada à luz da lua.
E a viagem pelos desejos insanos e incoscientes resolveu mostrar sua face mais graciosa. Pensou nele. Seus lábios umedecidos e pintados pelo vinho passaram a ter o mesmo gosto que um beijo... a ser roubado.

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