quarta-feira, setembro 19, 2012

liberdade


Hoje sonhei com você.
Caminhávamos de mãos dadas.
Fazíamos as compras no supermercado juntos.
E acomodávamos as sacolas cheias no bagageiro de nosso carro.
Éramos um casal.
Fazíamos coisas que um casal faz.
Éramos felizes… um casal feliz, com as compras do mês, as sacolas, o bagageiro. E as mãos dadas.
Porém, quando eu olhava nos teus olhos e me deparava com um retrato fiel da tua feição, algo estranho acontecia. Como um retorno à consciência adormecida, eu parava para te admirar e pensava comigo: “não acredito, não acredito… você está aqui comigo”.
Éramos, enfim, livres.

sábado, setembro 15, 2012

Carta a você

Meu querido namorado,

não sei porque escrevi a palavra namorado na frase acima. Acho que foi só uma necessidade de afirmação de um laço efêmero que houve entre nós. Não que a afirmação fosse a respeito da efemeridade, mas, talvez, da impetuosidade com que nos entregamos um ao outro. Como velhos parceiros, desbravamos nossos corpos da mesma forma com que ríamos das piadas sem sentido que contávamos para fazer charme a quem quer que nos olhasse. Mas, enfim, o que mesmo eu queria te dizer? Ah, sim, sim. O teu plano deu errado, meu bem. Não foi dessa vez que você conseguiu aplicar o golpe da barriga às avessas para ter um forte motivo para me convencer a casar contigo. Continue tentando, meu bem. O nome do menino eu já escolhi. Se for menina, você escolhe, está bem?

13/09/2012

expectativa

eu queria ter a certeza

de que tudo isso é sua obra,

realeza.

dos caprichos dos teus olhos coloridos,

e dos desejos da tua mente,

em me ver novamente.

e a expectativa se funda assim,

no imaginário incontrolado.

na vontade de ser o que provavelmente não será.

não esperarei que me entregue um anel

escondido dentro de um cupcake,

acompanhado de um pedido singelo

e de um sorriso aberto.

11/09/2012

dimensão

Você disse que se soubesse que eu apareceria na sua vida, teria feito tudo diferente.
Eu fiz tudo diferente, pois sabia que você apareceria na minha vida.
Será que teremos que esperar a próxima reencarnação para você fazer o que combinamos na outra dimensão?

09/09/2012

varal

A vida me pregando peças…
como o pregador no varal a prender as roupas…
uma ao lado da outra, separadas por um pequeno espaço
mas sustentadas por um mesmo fio.

09/09/2012

tens nome?

minhas mãos estão vazias

cada olhar disfarçado

cada riso tímido

cada afago contido

cada beijo não roubado

ah! fazem tanta falta

o tempo não vivido

o gesto não executado

o desejo não satisfeito

a tua ausência marca não só o corpo,

a carne, o desejo.

tua ausência marca aquilo que não se toca,

não se explica, mas sente para além dos cinco sentidos.

sentimento, sentimento.

tens nome?

06/09/2012

Para cada beijo não dado,
um será “roubado”.


06/09/2012
tua imagem ainda reside

na minha memória

mas preciso fechar os olhos pra te ver.

03/09/2012

Uma semana

Há uma semana eu cometia uma das maiores loucuras da minha vida.

Enquanto sentia a ponta da faca pinicando minhas costelas, cravava um punhal em termos sentimentos. Toda a racionalidade, toda a leveza se esvaecia pelo ar embriagado de mais uma cerveja. A música tocava alta, entorpecia meus pensamentos. Eu não sabia mais quem eu era, nem o que eu queria.

A ponta da faca pinicava minhas costelas e eu desejava, cada vez mais, sentir a lâmina desafiando a resistência da minha pele. Um misto de desejo e tensão hipnotizavam meus sentidos.

Subitamente, num golpe fatal, olhei em seus olhos. E senti o fogo queimar a minha alma. O veneno da ponta da faca, misturado com o olhar ardentemente congelante, retirou todas as forças conscientes que ainda haviam em mim.

Instinto, foi apenas o que restou.

Segui suas ordens, segui seus passos. Cega, atordoada. Instintivamente como a presa à espera de seu caçador. Destino traçado. Consumado.

Há uma semana, a lua crescente testemunhava como me tornei zumbi. Não estou morta, nem estou viva. Há duas marcas no meu pescoço. E uma dúvida que não cabe a mim.

Agora, lua cheia me responda, como vou uivar? Se não tenho mais voz? De loba para vampira, meus dias estão fadados a lembranças eternas de uma noite de agosto. A última em que fui humana. A primeira em que fui perdida.

01/09/2012

Falta-me o sinto de segurança.

Estou com saudades do tempo em que você era apenas um pensamento não concreto. Uma possibilidade pensada em um dia de sol. Uma abstração imaginária de um desejo proibido.

Nunca pensei que fosse dizer isso.

Mas o querer e não ter livrava-me de uma espécie de sofrimento ácido, corrosivo. Antes, o não ter apenas revelava uma latência… hoje, o ter e, ao mesmo tempo, não ter, se traduz em uma turbulência que não sei lidar.

Não se trata de arrependimento, apenas

Falta-me o sinto de segurança.

30/08/2012

química

Quando a química acontece,

A razão desaparece,

Os sentidos apetece,

O prazer… agradece.

25/08/2012

Ficar um tempo sozinho não é ruim.
Você está apenas concentrando o mel.



18/08/2012

suspira

Por que tem que ser assim, Adelaide?

Por que esse encanto instantâneo não suporta mais o tempo que ficou estático nos desejos?

Por que agora que o fim já é dado, que o caminho foi traçado, você volta e quer quem você resolveu deixar para trás, sem ao menos tentar?

Seria arrependimento pelo beijo não dado?

Seria arrependimento brotado pela lembrança do brilho daqueles pequenos olhos castanhos?

Seria arrependimento a cada nova, divertida e duradoura conversa?

Ou seria acreditar que sim… que aquele sorriso e aquele jeito atrapalhado na dança não te enganaram… e que a vontade é recíproca?

Suspira, Adelaide, suspira.

Quem sabe o menino tímido te dá uma super pista?

16/08/2012

Siga o mestre

Vamos brincar hoje… você manda, eu obedeço.

Todas as tuas vontades, uma a uma. Quantas vezes forem necessárias.

Você indica os passos, eu sigo rigorosa e ativamente.

Vou além do pedido para realizar o desejável que não foi dito.

Para te deixar sem fôlego para a próxima jornada.

Você manda parar… eu desobedeço.

11/08/2012

metamorfose

Tantas histórias que poderiam ter sido e não foram.
Tantos abraços perdidos no tempo.
Tantos beijos esquecidos no armário.

E o que resta, além de um sentimento sem nome?
Não se pode sequer chamar de “perda”, pois não se perde o que não se teve.

E o que você tem? Quem você já teve? São apenas perguntas de respostas vazias. O que importa, realmente, é QUEM VOCÊ DEIXOU TER VOCÊ? E a segunda questão, QUEM TEVE VOCÊ? com seus defeitos, seus medos, seus traumas, seu riso, seu choro, sua inocência, sua (in)consciência?

Pode chorar, garota.
Pode chorar, garota.

Mas preste atenção onde está diluindo o seu coração.
Agora, seque essas lágrimas de autocompaixão, garota.

A música está tocando e você quer dançar.

04/08/2012

quarta-feira, agosto 01, 2012

na boca

Pegue mais uma taça de vinho, meu bem…
Tinto, molhe meus lábios de rubi.

Pegue mais uma taça de vinho, meu bem…
e beije a minha boca rubra.

Derrame esse tom sobre as minhas curvas e descubra no meu corpo o sabor seco e doce… seco, rubro, doce da pele em chamas.

Pegue mais uma taça de vinho, meu bem…
e deixe que eu desvele o que há por detrás do veludo que cobre o teu corpo.

Tenso, intenso… encorpado.
Minha boca pede, meus lábios imploram, mais um gole, mais um gole…
mas a garrafa esvaziou-se.

grito

Estou gritando na escuridão,
mas ninguém pode me ouvir.

Estou chorando,
para não deixar a chuva sozinha com suas lágrimas.

Estou esperando…
que o sol volte a brilhar e seque todas as poças e as roupas que estavam limpas no varal.

Estou esperando…
o tempo passar.

Para levar junto essa estranheza toda. Entre o sim e o não. Entre o desejo e o vício. Entre eu e você.
E deixar que o presente vire passado.

E a dor se vá em um grito.

30/07/2012

Eu fico triste.
Toda vez que te vejo online.
E você não vem falar comigo.
Eu fico triste quando lembro de você.
30/07/2012


Esperar por alguém que não vai aparecer é chato. Para não dizer que é foda.

28/07/2012

Injusto

Injusto ou justo?

Agora que você é livre, ele é preso.

Agora que você tem todas as noites, não tem a cidade.

Agora que você tem tempo, ele tem trabalho.

Agora que você quer, ele não pode.

Mundo injusto!

Ou talvez seja justo para dar um fim àquilo que começou meio no tropeço, ao acaso do tempo e do vento…

27/07/2012

estou confusa

Em todos os sentidos de vida, especialmente aqueles que se referem a esse ingrato do coração que foi flechado por um cupido sacana.

Cupido sacana, cupido sacana.

Me deixou em paz por 5 anos, para agora fazer isso? Me colocar em dúvida entre três caminhos tortuosos e difíceis de seguir.

Cupido sacana, cupido sacana.

Você quer só brincar comigo, me deixar ser o seu passatempo preferido?

Ou

Você quer só sair comigo, me deixar ser a sua companhia preferida?

Ou

Você quer que eu desista desses dois e volte ao meu celibato?

Hein, cupido sacana?

Agora que eu já lembrei o gosto do doce, o cheiro do vinho… voltar para a autossuficiência… seria uma prova de fogo, hein, cupido sacana?

24/07/2012
Quero beijar a tua boca,
Até amanhecer.

Quero te fazer rir,
Até anoitecer.

Afinal, quem precisa dormir?
Sou louca, louca.
Louca por ti.

Sem medidas.

23/07/2012

Rivais

O primeiro encontro de duas rivais sempre merece ser observado.
“Uma” olha para “Outra” e pensa: “então é assim a vaca!”
A “Outra” não sabe o que fazer, se foge correndo porta a fora, se finge interesse em conhecê-la, se busca uma simpatia sabe-se lá de onde.

Ambas partem para a diplomacia. Não se encaram diretamente, mas fazem aquele velho ritual feminino. Trocam um “oi” sem graça, misturado com um pseudo-sorriso. Os mais desatentos podem ter até pensado que se tratava de um pouco de simpatia.
Em poucos segundos “Uma” já fez uma varredura completa sobre a “Outra”… e vice-versa.

- Ela é magra e alta, pensa “Uma”.
- Ela tem mais corpo que eu, conclui “Outra”.
- Desgraçado! me fez cortar o cabelo parecido com o da “Outra”!
- O cabelo dela não deve ser tão liso assim. Deve ter usado uma química daquelas… e essa cor aí não é natural.
- A bota dela nem salto tem! Como ele foi olhar pra essa “Outra”?
- A bota dela é novinha, com saltinho… e meio country. Que coisinha mais…
- A “Outra” tem sardas. O 13º Artigo de Fé do Gaúcho tinha razão! Perigo!
- “Uma” tem um sorriso bonito.

Passaram cinco segundos. E cada uma segue o seu caminho, “Uma” com dúvidas, “Outra” com certezas: não gostaria de esbarrar com ela novamente.

22/07/2012

SDD

estou com saudade
do teu corpo
encostado no meu

estou com saudade
do teu cheiro
misturado ao meu

estou com saudade
do teu gosto
diluído ao meu

estou com saudade
de ter a ilusão de que és só meu.
te dividir com outra é tão difícil

fingir não te amar é tão difícil
largar tudo e fugir para o caribe…
é tão tentador…

estou com saudade
de acordar dos sonhos.

MAIS

Cansei de ser a pessoa certa no momento errado.

Quero ser a pessoa errada no momento certo.

Quem sabe assim, dá certo?

Eu e você, você e eu.

Nossa moto na estrada e nada mais.

Alguns trocados na carteira e um dia a mais.

Acordar com o teu sorriso e um beijo a mais.

14/07/2012

na estrada

Vamos pegar nossa moto e partir em direção ao norte.
Quando a gente cansar da estrada,
Vamos nos amar em um motel barato
E depois vamos rir da decoração kitsch do quarto.

E seguiremos até acabar a gasolina.
Você lavará os carros no posto, eu serei garçonete.
Vamos trabalhar durante o dia e vamos nos amar durante a noite…
Vamos juntar mais uns trocados e seguiremos ao sul.

E quando a gente cansar da estrada… a gente vende a moto e vai para Las Vegas, casar em um cassino e ter a lua de mel no Caribe.

14/07/2012

Flerte fatal

Eu sei, eu sei. Você avisou “nada de sentimento… nada de sentimento”… seja apenas meu flerte fatal.

E caio novamente na velha lógica do momento… vamos curtir, baby, antes que o sol nasça e as luzes dos postes se apaguem.

Vamos rodar alguns quilometros, vamos para onde ninguém nos conheça. Vamos lá, vai ser legal, meu flerte fatal.

Serei sua namoradinha esta noite… e farei você se apaixonar. Quem disse que quero obedecer a tua investida nada sentimental?

Eu sei, eu sei. Você está envolvido. Sou fatal. Meu flerte.

07/07/2012

Me leva

Me leva para passear naquela estrada sem fim. Naquela estrada iluminada pelas estrelas. Aquela estrada que só você conhece o caminho. Aquela estrada sinuosa e misteriosa… feita de pequenos toques com as pontas dos dedos. Aquela estrada com cheiro de pele, com calor de corpo, com aroma de suspiros sem fim.

Me leva para ver o céu, me leva para sentir o mar. Me leva, me leva. E não me deixa voar sozinha. Segura na minha mão quando eu tiver medo. Olha dentro dos meus olhos quando eu lembrar do que não devo. Me traz para a realidade presente de novo. Não me deixa voar sozinha. Voa comigo. E me leva contigo.

02/07/2012

domingo, julho 29, 2012

Furacão

Para pensar na vida,
nesse eu e você, confuso.

Para olhar para a lua,
e chorar no cantinho, escondido.

Para sentir culpa.
Daquilo que talvez eu nem tenha culpa.

Todos pedem uma chance para ouvir um sim.
Eu te dei o meu sim. O meu abraço. O meu carinho. O meu beijo.

E você?
Sente o meu poder de destruição?

Entende, agora, por que eu insistia com o ‘não’?
Eu nunca quis te fazer mal.

Eu nunca quis te fazer sofrer.
Mas você se jogou aos meus pés, idolatrando o que não conhecia.

Sim,
eu te disse não. Para evitar tudo isso.

E agora, o que resta?
Cacos de vidro pelo chão.

08/06/2012


depois de tanto tempo escrevendo sobre
possibilidades imaginadas, fazer algo antes apenas
sonhado tem um gosto de quero mais, quero agora,
quero todos de novo.


09/05/2012

ai ai ai

Na minha blusa, o cheiro de um…


No meu travesseiro, o cheiro do outro…

No meu corpo, as mãos de um…

No meu msn a trova do terceiro.

Vida difícil.

09/05/2012

vinho

O gosto de vinho permanece na boca.

O roxo nas pernas.

O bordô do esmalte das unhas.

Um monte de cenas sem nexo.

Haveria tido sexo?

Ou só o engodo de uma ressaca não curada?

Tentando dar culpa a um sonho solitário dormido no sofá da sala com a tv ligada?

02/04/2012

Boa noite

vou embora

vou sair por aí

ver o mar

sentir as ondas

para achar alguma coisa perdida

no fundo dos sonhos

deste azul sem fim

30/03/2012

suspiro

Um suspiro pode ser tão ou mais subjetivo e 

instigante que as reticências em uma frase.


14/03/2012

quase...



Tu és um bom menino.
Só que se esconde atrás de tatuagens e piercings.
E é isso que a maioria vê: um amontoado de desenhos nos braços brancos, umas argolas e arames furando a carne.
Quase ninguém vê a tua verdade, sincera, simples, sutil genialidade. 
QUASE ninguém.

07/03/2012

Desabafo


Toda semana surge alguém dizendo que eu sou linda. E não é só de gente que “acabei” de conhecer.
Não sei lidar com isso.
Deve ser ironia… ou bondade extrema.
Ou… querem me adular em favor de algum favor?
Nunca saberei.
Mas, também, que diferença faz? Beleza não se põe a mesa… diria o velho (ditado).

07/03/2012

Segurança


Por vezes tenho vontade de sumir do mundo.
Por outras, tenho vontade de ser o teu mundo.
Mas, na maioria, não faço nada.
Algo me impede.
Viver e amar uma ilusão é tão mais seguro, não é?

03/03/2012

Daora a vida


Você quer ser encontrado, mas não sai do modo invisível.
Você quer ser amado, mas não sai do armário.
Você quer ser respeitado, mas não sai do modo debochado.
Você quer ser entendido, mas não para de ignorar quem tenta te entender.
Daora a vida, garoto problema.

02/03/2012

A pequenez humana faz a grandiosa 

mesquinhez de nossa espécie.


Estou achando tudo sem graça hoje.
Desculpa.

Caralho.


“Te amo muito, meu amor” é o caralho.Vai me conhecer primeiro, antes de sair dizendo a torto e direito que me ama. Oras, amor de uma semana não existe. Sou cética demais para acreditar nisso.Desculpa.


27/02/2012

Simples


Não quero mais ouvir a sua voz.Não quero mais ver o seu rosto.Quero ouvir a tua respiração.Quero sentir teu rosto colado ao meu pescoço.Simples assim.


22/02/2012

Prova de amor?


Se te pedirem uma prova de amor…
esqueça.
Diga adeus.
Quem pede prova de amor, não tem amor próprio. E o pior: duvida do sentimento dos outros.
16/02/2012

domingo, janeiro 01, 2012

Retro, 2011

Nesse ano que passou, algumas mudanças previstas pelos astros e profetizadas pelos horóscopos nossos de cada dia aconteceram. Outras, não. O tal amor não veio, mas uma paixão renasceu das cinzas e trouxe as borboletas para habitarem meu estômago. Mas o desejo por algo real, e menos platônico, ainda existe.

Mudei meu rumo. Na verdade penso que se o destino realmente existe, ele se mostrou para mim nesse 2011. E quanto mais se tenta fugir do dito, mais ele vem atrás de você. Foi assim com CA. Primeiro recebi, ainda em 2010 a indicação, "tenta lá, estou saindo, minha vaga vai ficar". Depois foi o amigo, ex-affair, que mandou a vaga. E por fim... a vaga veio até mim, assim, sem mais nem menos. Sem meu esforço.

Tempo de mudanças, de questionamentos e reestruturações. Lógicas, físicas e emocionais.

Depois veio a rotina e sua incrível capacidade de mostrar o quanto estamos adaptados a alguma situação. As viagens se tornaram cotidianas e as rodoviárias um ponto com outro significado. Cada viagem uma paisagem, uma história... e talvez a rotina não seja tão rotineira assim. Um mesmo caminho que revelou uma paisagem diferente a cada semana. Conheci intuitivamente o ciclo das culturas: planta soja, colhe soja, prepara a terra, planta trigo (ou põe o gado ou as ovelhas a pastar), colhe o trigo (ou recolhe o gado ou as ovelhas do pasto), planta o milho, colhe o milho, planta soja...

Conheci pessoas legais e outras nem tanto. Mas com todas aprendi algo. Nem que seja a velha máxima: "por momentos o melhor que se pode fazer é permanecer calado". Me surpreendi com a pequenez humana, ávida por intrigas e disputas.. apenas pelo prazer de gerar boatos e semear a discórdia em espaços em que não haveria motivos para isso. E isso me fez pensar, trezentas vezes, sobre a veracidade ou não, de antigos rumores contados... Mas não cheguei a conclusão alguma. Não me interessa o que essas pessoas fizeram nos seus passados.. apenas busco não me envolver em suas artimanhas. Me poupo.

Me permiti voltar aos meus 18 anos e me sentir como uma garotinha apaixonada... amando platonicamente um, sorridente por causa de outro. Fazer carinho em alguém que se quer bem, assim, gratuitamente, sem esperar nada em troca pode ser muito legal, fazer bem aos dois... mas o chato são as expectativas e imaginações que isso aflora nos outros. Mais uma vez, a capacidade humana me surpreende.

Mas segui meu caminho, de boa, na boa. Sem entrar nos méritos ou deméritos... mas busquei, mais uma vez, me poupar. Perder tempo explicando coisas para pessoas que não querem entender, não faz mais parte das minhas práticas.

Respeito a mim mesma. E respeito aos outros. Alguns veem isso como indiferença, outros como 'monguisse'. Podem pensar que sou monga, não me importo. A minha verdade é a que está aqui dentro. E é ela que importa para mim, só ela.

Que venha 2012.






sábado, novembro 26, 2011

Coração fechado para pousos e decolagens

Já serão 3 semanas de silêncio.
Nenhuma palavra minha.
Nenhuma resposta tua...
Ok, nenhuma pergunta foi feita.
A não ser aquela que me incomodava interiormente.
Sim?

Nos conhecemos, assim, por obra do acaso (ou destino?).
Nos distanciamos pelas circunstâncias (ou meu medo?).
Nos reencontramos por minha responsabilidade profissional (ou destino?).
Nos envolvemos pelas ditas redes sociais (ou minha coragem?).
E, agora, silenciamos. Pela minha "indignação" com a tua falta de ação.


Tenente, tente entender.
Eu não consigo ser mais direta.
Eu não consigo esperar por alguém que não demonstra que faria o mesmo.
Eu não consigo mais... ocupar esse lugar vazio, de quem sabe, algum dia, opção.


Tenente, tente entender.
Eu não vou correr para os teus braços fortes em um simples estalo de dedos.
Eu não vou sair nessa noite. Vou ficar com minha melhor companhia.

Tenente, tente entender.
Minha vida não está ganha.
Minha vida é muito curta para eu perder meu tempo esperando que teu helicóptero passe pela minha janela... e que você, finalmente, me procure.

Tenente, acho que já entendi.
Eu voei demais com o teu jeito de anjo.
Eu suspirei demais com o teu sotaque de mineiro.
Eu te quis tanto... mas, e você?

E agora, Tenente aviador, tente entender
Meu coração está fechado para pousos e decolagens.


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Tententender - Pouca Vogal

Se eu disser que vi rastejar
A sombra do avião feito cobra no chão
Tententender a minha alegria
A sombra mostrou o que a luz escondia

Se eu quiser ser mais direto
Vou me perder melhor deixar quieto
Tententender, tentenxergar
O meu olhar pela janela do avião

Que amor era esse
Que não saiu do chão?
Não saiu do lugar
Só fez rastejar o coração

Se eu disser que tive na mão
A bola do jogo, não acredite
Tententender minha ironia
Se eu disser que já sabia

O jogo acabou de repente
O céu desabou sobre a gente
Tententender, quero abrigo
E não consigo ser mais direto

Que amor era esse
Que não saiu do chão?
Não saiu do lugar
Só fez rastejar o coração

sexta-feira, setembro 30, 2011

Paradoxos

A TPM tem a capacidade de me deixar mais paradoxal do que o já normal. Até rimou, mas a intenção não era essa. Mas, enfim.
De uma menina frágil a uma mulher forte e impulsiva.
Da raiva impensada às lágrimas da verdade refletida e, finalmente, entendida.
A TPM tem esse poder sobre mim.
Me faz ver o que antes eu não via.
Me faz entender o que antes eu escondia.

Meu mundo já foi Mudo. Intensamente vivido em meio a sussurros, a química perfeita...
Mas... faltavam as palavras.
Por isso, deu certo e deu errado.

Meu mundo já foi a dúvida. Entre um ou dois amores.. com espaço para alguns rompantes em busca de Piratas, Dinamarqueses e outros sujeitos sem nome.
Tantos sentimentos misturados. Tantos gostos e cheiros experimentados entre um sorriso e outro, entre uma música e a próxima dança.
Mas... faltava uma decisão. Entre o sim e o não.
Eram tantos e fiquei sem nenhum.

Meu mundo já foi colorido por sentimentos platônicos, velados.
Sentimentos confusos, mas, de certa forma, seguros.
O destino virou refém dos meus pensamentos. Tudo acontecia (ou não) de acordo com minhas doces e alucinadas fantasias.
Garoto estranho, garoto dos óculos I e II, fotógrafo, o menino dos olhos verdes, o guri do sorriso aberto, o guri do cabelo bagunçado, o anjo que voa pelos ares... todos eles. Foram meus. Só meus. E não sabem.
Com raras exceções... um soube e outro foi.
Os outros talvez nunca tenham sonhado, embora fossem sonhados diariamente.

E hoje, me vem ela, para me dizer: "CHEGA!!"
Chega de esperar por um ser que não vai aterrizar no teu caminho.
No máximo dar um rasante, fazer aquele barulho todo e ir embora.
Já está demorando demais...
Daqui a pouco a pista fecha para pousos e decolagens.
E abrirá novamente para outro possível candidato a "desejo" da vez.
Tem sido assim, por que com ele seria diferente?
Sejamos realistas, até agora ele só é "o cara" por que você o constrói assim.
E quando a verdade bater a sua porta, você vai pensar "ah, ele parecia legal, pena que..."
E as reticências farão toda a diferença.


segunda-feira, setembro 05, 2011

Saudade, uai

De repente, assim, senti saudade do cheiro do pão de queijo,
ainda quente, macio, recém saído do forno.
Senti saudade de um gosto ainda não provado, de um desejo não consumado.
Senti saudade da tua presença virtual, mas que me preenchia no senso real.
Senti saudade do trem... da batida ritmada dos ferros sobre os trilhos.
Senti saudade do teu sotaque, das tuas gírias e, até, do teu silêncio.
Senti saudade, assim... de ti.
E essa saudade, uai! surge para fazer pensar... em ti, em mim, em nosso quase [e sonhado] nós.
Senti saudade de ti, mineiro.
E isso me intriga, me castiga, me faz perder o foco.
Preciso de um óculos, daqueles de visão noturna.
Para encontrar o caminho, em meio a tanta dúvida perdida na escuridão.

domingo, agosto 28, 2011

dinamarca

De repente, uma lembrança, um cheiro, um gosto e um desejo: quero ir pro outro lado do mar azul, encontrar uns olhos de verdade em um céu de ilusão.
Só me deu saudade.
De duas noites intensas e inesquecíveis.
Me deu saudade do teu carinho, do teu respeito e da segurança que me transmitia.
Viestes do gelo, mas eras tão aconchegante, tão caloroso.
Como pode, uns olhos azuis tão frios serem capazes de enrubescer meu rosto?
Te amei, não em sentimento, mas em ação.
Porque o amor é o que o amor faz ser.
E você me fez viver o que havia prometido na outra vida.
Você me reconheceu no primeiro instante... eu demorei um pouco mais para me encontrar no azul da tua retina, afinal já havia me perdido em outras tonalidades que não eram as certas.
Mas quando, enfim, fui fisgada por uma lembrança não vivida, tive certeza, eras tu que viria.
Meu amor prometido. Minha alma gêmea.
Realizamos o escrito. Podemos seguir nossos caminhos.
Eu aqui, você lá..na Dinamarca.

domingo, agosto 21, 2011

solidão

Minha solidão nunca foi sozinha.
Sempre esteve acompanhada
Pela minha companhia.

Minha solidão nunca foi vazia.
Sempre esteve preenchida
Pelo meu silêncio que ensurdecia

Minha solidão nunca foi sofrimento
Sempre teve um divertimento
Um pensamento incessante: até quando?

Minha solidão, minha melhor companhia.
Afinal, antes só do que mal acompanhada.

quinta-feira, julho 28, 2011

Divã

A primeira vez que escrevi sobre você,
não sabia bem como explicar.
Um sentimento confuso, misto de surpresa e medo.
Isso foi em 20/10/10 e batizei o post de "?". Nada mais apropriado.

A segunda vez que escrevi sobre meu sentimento por você,
continuava confusa, mas com medo de seguir meus instintos...
aqueles que já me levaram ao céu e me fizeram arder no inferno dos arrependimentos.
Isso foi em 18/12/10

Agora, terceira vez que você motiva algumas linhas, não mais de poesia, mas de desabafo
não sei o que fazer.
Te quero. Te desejo. Quero te conhecer melhor. Quero deixar você assumir na minha vida o lugar que já ocupas a tanto tempo nos meus pensamentos.
Mas... tem algo que me segura as mãos. Tem algo que me impede de ir adiante.
Não sei se é a distância ou se são as circunstâncias.
Não sei se é o teu olhar escondido sob os óculos escuros que me repelem.
Não sei...
Se é você ou se sou eu.
Por que eu te espero a tarde toda e quando te vejo alí, verdinho, não te clico?
Me boicoto? E porque não me clicou ontem? Sempre eu tenho que ir atrás de ti?
Ou acreditei demais nos horóscopos de que é preciso ter paciência com mocinhos virginianos que voam pelos ares, invadem os lares com o barulho de seus helicópteros?

segunda-feira, maio 09, 2011

Memórias

Minha memória anda falhando.
Não consigo mais lembrar tão bem quanto antes dos detalhes do teu rosto.
Nem mesmo da sequência exata de alguns fatos que, outrora, pensava eu, jamais esqueceria.
Mas... eles foram se apagando da minha memória.
Os acontecimentos e os teus gestos.. estão indo, aos poucos, para um lugar que desconheço e não tenho acesso.
Se tento lembrar o resultado é uma profusão confusa. Risos, mãos, toques, sons indescritíveis. Lugares poluídos, histórias desconexas, misturas de momentos isolados. Sem sentido. Como um sonho que se mistura à realidade.. e portanto, não se sabe se a imagem que se tem em mente é verdade vivida ou ilusão adormecida.
Minha memória anda falhando.
Onde foi mesmo que guardei a chave das lembranças?

terça-feira, maio 03, 2011

A noite dos zumbis

É triste quando numa noite assim, fria e calada, se descobre um corpo e um rosto desconhecidos, apagados, opacos. Como um morto-vivo te espreitando no espelho.
A imagem que reflete não tem mais o tal brilho no olhar, não tem o sorriso nos lábios... o cabelo, ah, o cabelo... pode-se chamar isso de cabelo? Definitivamente, parte desse corpo já morreu, a outra finge que vive... da rotina, do fazer sempre o mesmo, de novo, mais uma vez. Cansado, não reclama. Apenas segue na sua batida. Não questiona, não pergunta. Apenas aceita. Não inventa nem inova. Sempre o mesmo rito, o mesmo ritmo, calmo, lento, silencioso.
As mãos frias encontram os ossos do corpo magro, seco, descuidado. Frágil. Não há calor, apenas o frio da noite e a companhia da escuridão. Não há cobertores nem aquecedores capazes de reviver esse corpo, nem mesmo retirar essas olheiras profundas ao amanhecer. Há uma falta.
É triste quando numa noite assim, fria e calada, se descobre um coração parado. Como um morto-vivo dentro do peito.

sábado, dezembro 18, 2010

As coincidências, baby, elas existem pra quê?

Subi as mais altas montanhas para poder te ver
E lá do alto, pude perceber, enfim, o quanto a vida é pequena
E quanto tempo tempo se gasta em uma fila de banco,
Enquanto, na verdade, se queria estar em outro lugar.
É incrível o quanto de mim, perdi
O quanto de ti que não encontrei.
As coincidências, baby, elas existem pra quê?
Para enganar as certezas ou certificar as dúvidas?
As coincidências, baby, elas existem pra quê?
Para eu ficar feliz com um status online e não ter coragem de sair do invisível?
As coincidências, baby, elas existem pra quê?
Para que toda essa tolice seja pensada e eu tome uma decisão?
Mas eu subi até o alto da montanha, e agora, tenho medo de cair.

quarta-feira, outubro 20, 2010

?

Voa alto, meu bem.
Voa, vai, ao longe.
Dança entre as nuvens, meu bem.
Invade o silêncio dos lares.
E depois retorna.
Aos braços da tua amada amante.

Voa alto, meu bem.
Voa, vai longe.
Até onde tua imaginação permitir.
Mas volta à realidade, meu bem.

Deixa as fantasias de lado, meu bem.
E me encare com a mesma frieza de antes...
Será que você consegue?

quarta-feira, setembro 22, 2010

você é um cachorro

Agora vamos brincar de gato e rato.
Mas quem é o gato e quem será o rato?
Você some do alcance do meu olhar, mas ao mínimo sinal de perda de espaço, volta, correndo.
Volta só para tumultuar meus pensamentos. Para preencher minha timeline de DMs.
Lança a isca, querendo ser iscado pela minha memória e, de brinde, desejado pelos meus lábios.
Lança a isca, mas não quer envolvimento, quer ser lembrado. Ter seu lugar cativo garantido.
Mas o meu carinho não vive só de saudade.
E uma saudade só de sonhos não é saudade. É fantasia.
E, se for assim, eu não quero mais brincar.
Sou um cachorro, não sei ser gato. Nem rato.
Sei ser fiel. Sei esperar.
Mas, esperar por uma incerteza não me parece muito inteligente...

E meu faro, me diz, que você está do lado de cá, mas não quer assumir.
Meu faro me diz, que você tem medo de ser esquecido.
Você já me deu um não. Agora, torne explícito se tudo isso é um sim.
Eu já cansei de suposições.
Eu já cansei de invenções.
Eu já cansei de todos esses clichês.
Sejamos claros e francos.
Você quer brincar de gato e rato.
Mas você é um cachorro.[eu também sou]
Que tal irmos uivar para a lua?

quinta-feira, setembro 16, 2010

é surreal...

"A sua primeira paixão,
a mulher ama seu amante; 
em todas as outras ela só ama o amor". 
(Don Juan Byron)

é surreal o sentimento que nasce e brota no vazio.
no silêncio soluçante, adoçado por lágrimas de saudade.
é surreal.
é surreal, mas uma mulher pode amar o amor...  pode amar a situação, a emoção... não o sujeito que tem um nome, um rosto, um corpo. Ela ama dizer que o ama. Que sente saudades. Mas, talvez, ela não o ame.
Pobre homem. Enganado.

E todos se enganam.
Daqui uns tempos, eles notam... algo está errado. E daí, partem.
Cada um para seu lado.
Com suas lágrimas.
E suas malas.

quarta-feira, maio 12, 2010

Eclipse

Hoje, por um momento raro e divino
para além das probabilidades probabilísticas
abracei a felicidade.

Um abraço rápido, mas marcante.

Encontrei a felicidade, assim, no caminho para casa.
Sob a sombra das árvores.
Sorriu ao me ver... estava um pouco diferente da última vez que nossos caminhos haviam se cruzado.
Mas o que importa as diferenças? O que importa é que era ela.

Ah, felicidade.

Quem sabe um dia, deixamos de ser como o sol e a lua que só se encontram na passagem rápida do eclipse?

sábado, abril 17, 2010

Mais um gole

Abriu a garrafa, sorveu o líquido no copo. Tomou um gole. Sentiu o sabor penetrar na sua língua e logo ganhar sua garganta. Com a mão direita pegou o controle remoto e ligou o rádio. Vagou entre as emissoras, com suas vozes, suas músicas e anúncios espetaculares. Bebeu mais um gole. Pegou um CD da estante e pôs para tocar no randômico. Tudo o que queria naquele momento, era fugir das ordens.
Sentou na poltrona. Fechou os olhos. Respirou fundo e buscou o alento do copo. Deixou a música e o álcool guiarem seus pensamentos.
Suas mãos fizeram doces percursos por seu corpo cansado. Do pescoço ao peito. Do peito à barriga. Da barriga às coxas. Das coxas até os pés, passando, vagarosamente por toda extensão de suas pernas. Meia garrafa vazia. E uma sensação inédita. Satisfação. Aceitação de cada pedaço de pele, antes escondida, agora mostrada à luz da lua.
E a viagem pelos desejos insanos e incoscientes resolveu mostrar sua face mais graciosa. Pensou nele. Seus lábios umedecidos e pintados pelo vinho passaram a ter o mesmo gosto que um beijo... a ser roubado.

quarta-feira, abril 07, 2010

DR

Amor, que hora é essa?
É que tenho pressa.Para voltar a uns outros braços.
Outros?
Desculpa, querida. Não era para ser você.

Ah, sim, é a outra.
E falas com tanta naturalidade?
Mas não fostes tu que a incluiste nos teus horários? E nas tuas preferências? Não sejas cínico, amor.

Me chamas de amor e de cínico? Ora! Não estás sendo tu, a grande cínica?
Não.
Não?
Não, amor. O cínico é você. Que me chama de querida, mas queria estar nos braços da outra. Vai, corre para ela. Sou só tua distração, não sou?

Não fales assim, querida.
Pois falo sim!
Querias, teves, não queres mais! Já entendi. Tchau pra ti.


Agora deu pra ter ciúme, foi?
Não é ciúme, é realismo.
Não nasci para ti, amor.

sexta-feira, abril 02, 2010

Eu queria ser poeta

Eu queria ser poeta,
para te ter por perto:
na ponta do lápis, no rabisco no papel.

Eu queria ser poeta,
para fazer da dor, riso;
do drama, amor;
e do amor, a vida eterna.

Eu queria ser poeta,
transformar cada lágrima em beijo
e cada despedida em encontro.

Eu queria ser poeta
para te escrever um verso reverso sem fim.

Eu queria ser poeta
para mudar o rumo dos ventos, das cores e dos amores.

domingo, março 14, 2010

Insana

Nada de lágrimas.
Nada de cinzas.
Nada de beijos.

Apenas o afago contido no abraço
forte, apertado, sufocante.
Desejo contido,
desejo contado,
desejo narrado.

Desejo sentido no calor do afago.
Desejo contido pelo corpo.
Desejo vivido pela mente... insana.

(mdf)

domingo, dezembro 06, 2009

Esqueça o colorido de meus olhos,
mas lembre-se do cinza das minhas palavras.

Palavras ditas com seriedade,
para rasgar as nuvens brancas
dos castelos imaginados e dos elefantes enfeitados.

Palavras carregadas de chumbo.
De cinzas de um amor
que ardeu em brasa, mas não resistiu ao pó.
Que paira sobre o porta-retrato e apaga...

Poeira cósmica, das dúvidas e das incertezas.
Afinal, a origem do universo ainda é um mistério que atravessa a noite fria e solitária.

quinta-feira, novembro 12, 2009

Sumi por uns tempos, eu sei.
E quem foi que disse que dar um tempo não pode ser bom?
Dei um tempo para as paixonites agudas.
E nesse meio tempo, busquei retornar à essencia.
Deixar a água rolar sobre as pedras e ir ao mar.
Ah, o mar.
Mesmo sem tocá-lo posso sentir seu gosto, seu cheiro...
deixar tuas ondas me levarem para onde quiser
seguir a direção, sem pensar
apenas seguir, viver... no litoral.

quinta-feira, outubro 22, 2009

Lições do Mago

Hoje duas lições do Mago sobre amor me fizeram reconhecer alguns erros pontuais que venho cometendo nas minhas últimas desaventurosas paixonites agudas. Paixonites agudas são aquelas que acabam antes mesmo de haver alguma posssibilidade real de concretização. Me apaixono e sufoco essas paixões no espaço de algumas semanas (no máximo, foram 3 meses). Guardo-as para mim, vivo-as intensamente apenas em pensamento. O sujeito pelo qual me "pseudo-apaixono" quase nunca fica sabendo que foi alvo dos meus delírios.
Por um momento, avaliei, faz tempo que não me envolvo, de fato, com alguém. Muitos receios e cicatrizes mal cicatrizadas formam uma barreira entre o "eu" e o "amor". Viver tudo a nível de pensamento é tão mais fácil, tão mais seguro que boicoto a mim mesma. Digo o não, quando deveria dizer o sim.
Enfim, as lições do Mago:

-
Não use as experiências passadas para julgar o amor presente.

-
Feridas de amor no passado não ajudam a relação presente. Não se "aprende" amor cada vez que se ama
.


Cada um é cada um. O ex pode ter sido um canalha, o que não significa que todos serão canalhas. A gente não aprende amor cada vez que se ama; a gente aprende sobre convivência, partilha. A gente entende que existem limites... que a nossa vontade nem sempre está na vontade e no tempo do outro. Paciência.
Buscar a unidade na diferença é uma forma de amar, de respeitar. Não há amor onde não há respeito, digo e reafirmo.
Lições simples, pena que a gente esquece.

sábado, outubro 17, 2009

Sentimentalóides urbanas

Era uma vez um coração cheio. Transbordava.
Não havia nem espaço para os suspiros, mas ele insistia: pode entrar, sempre cabe mais um amor impossível.

No início, tudo era um mar de rosas vermelhas e perfumadas. No fim, as rosas estavam murchas, desbotadas e com cheiro de um ontem triste.

Era uma vez um coração vazio. De tão vazio chegava a fazer eco. Não havia sentimentos nem pulsar. Impulsos? Só do oco a ecoar.


I'm sad.
My heart is empty.
And my head is full...

domingo, outubro 04, 2009

Ter em quem pensar antes de dormir é ter com quem sonhar ao acordar

Ter em quem pensar antes de dormir é ter com quem sonhar ao acordar.
Quero essa sensação de novo.
Mas além de uma sensação virtual...
criada nos romances a nivel da potência imaginativa.
Quero sensações sentidas!
Quero pele,
Quero química.
Surpresas, acasos.
Calor humano.
dos abraços,
dos beijos,
dos suspiros.

Tal qual o sonho inusitado da noite anterior.

Aonde está você agora, felicidade?

Sei que estou num círculo vicioso...
De sentimentos guardados, medos expandidos.
As cicatrizes me barram na porta da entrada
E os sorrisos são para disfarçar
Que está tudo bem, tudo ok.

Quando, na verdade, há um enorme vazio
que corrói e aumenta dia a dia
e me acorrenta a um passado que já passou
enferma estou, a espera da cura
que me leve para longe do ontem
e me traga de volta ao hoje.

Aonde está você agora, felicidade?

Já te busquei dentro de mim,
já recriei teu espaço na vida,
só falta você chegar e tomar posse.
desse corpo, dessa mente, dessa vontade.
fique, pois, à vontade.

sábado, setembro 26, 2009

lágrimas, chuva..e uma pitada de realidade

já dizia uma antiga canção "saber amar é deixar alguém te amar". Pois bem. Algumas dúvidas me assolam nesse instante em que a chuva cai com força na terra. Mas minhas inquietações nada tem a ver com a força da natureza, mas sim, com uma metáfora que remete a chuva: o choro.
Quantas vezes choramos por alguém que não nos deixou amar? Quantas vezes nos sentimos palhaços estúpidos, um pierro apaixonado por um vazio no espaço? Princesas idiotas a espera de um nada encantado sapo?
Quero dizer que muitas vezes sofremos e nos culpamos por nos encantar (apaixonar, envolver, deixar levar..) por um outro ser que não corresponde aos nossos desejos e expectativas.. e apartir daí, criamos uma bolha em torno de nós mesmos, impedindo que outras borboletas se aproximem.
Ficamos com medo. Medo de "quebrar a cara". Medo de chorar. Medo de sofrer, de se iludir. Medo. Medo. Medo. E o medo, é algo natural do ser humano, assim como a chuva é para a natureza. É natural e necessário. O medo, embora nos trave, por outro lado, nos faz pensar 300 vezes antes de tomar uma atitude. Tenta nos trazer a esfera da realidade, da racionalidade.
Aí está minha dúvida: quanto mais racional, menos emocional, ainda há espaço para a paixão?
Quanto mais eu penso nas possibilidades, mais acabo por afastá-las de mim. Quanto mais controlo meus ímpetos impulsivos, mais eles vão desistindo de re-acontecer. Quanto mais penso sobre o "sim", mais faço o "não". Pois o tempo de fazer transporto para o tempo de imaginar cenas e desfechos. Triste, acabo trocando o real pelo virtual. A paixão por uma vaga possibilidade.
E vou resemantizando a solidão.
De repente, o jogo está virando e eu não percebi. Talvez quem não saiba mais deixar o outro amar, seja eu mesma.
Lágrimas porque é triste o fim.
O meu fim.
Inerte, solitária.
O desejo é afogado pelo medo plantado pela dúvida.
E a vontade sozinha, não tem força. Precisa que o vento a empurre para o precipício ou ao paraíso.

terça-feira, setembro 22, 2009

felicidade instantânea

alguns minutos de felicidade instantânea, por hoje, me bastam.
assim como teu sorriso instatâneo, teus olhos castanhos... intensos.
ah. Minha felicidade instatânea, tão breve quanto uma conversa entre dois que se encontram em sentidos opostos. Um vai, outro vem. Param para um dedo de prosa instatânea, pois os compromissos... chamavam para longe.
Instantâneamente, meus gestos fisicamente paralizados, mas mentalmente realizados mudavam o desfecho do "até mais".

e agora o que me resta?
deliciar um chocolate, pensando em ti.
satisfação, praticamente, instantânea.
serotoninas em meu sangue,
felicidade no meu coração.
e o desejo de que a distância até o próximo encontro seja instantânea.

te quero por perto,
te quero sim.
garoto dos óculos.

sexta-feira, setembro 18, 2009

Em prosa

Chegou em casa cansado de um dia de trabalho. Atirou a sacola velha e surrada do ombro para o sofá. Em seguida, os sapatos foram deixados no caminho para o quarto. No corredor a camisa, impregnada pelo cheiro da rua. Das pessoas estranhas. Dos lugares comuns e incomuns.
Jogou-se na cama. Suspirou. Olhou para o teto branco, com o canto levemente mofado. Fechou os olhos para esconder de si mesmo que as rotinas produtivas do lar estavam em atraso. Faxina a fazer, roupas a lavar, passar... geladeira praticamente vazia e a pia transbordava de louça com restos de ontem.
Estendeu o braço, pegou o controle remoto e ligou o CD player. Algum prazer, a vida ainda devia lhe permitir, pensou. Fechou os olhos e respirou fundo. Dor nos pés, nas costas, na cabeça... ainda ouvia as vozes das pessoas estranhas da rua. Reclamações, choros e protestos. O dia foi pesado.
Na transição entre o sono e o sonho, sentiu que algo tocara seu peito. Passou a mão como quem espanta algum inseto e nada encontrou. Sentiu uma respiração próxima ao seu ouvido, mas antes que pudesse abrir os olhos, ela já havia encoberto-os. A voz suave apenas pediu que permanecesse imóvel, sem reagir. Sem saber porque, ele aceitou.
- Seria um assalto? Um sequestro? Não tenho nada de valor...
Ela pediu silêncio. Ele obedeceu. Estava cansado demais para pensar em alguma estratégia, para desvendar os olhos e se livrar da intrusa.
Sentiu as mãos dela, desenharem seu rosto. Delicadamente, beijou-lhe a face e pediu, mais uma vez, para permanecer imóvel.
Sentiu quando os cabelos dela roçaram seu peito no prenúncio do encontro dos corpos. Estava nua e pediu que permanecesse imóvel. Provocou. Beijou-lhe a boca, o peito, acariciou o tórax e os braços do homem cansado. Provocou até que o impulso domou a razão, a regra quebrou-se e o imóvel tornou-se móvel. Dança de corpos, gostos e sensações.
Adormeceu nos braços dela. Sem sequer, ver seu rosto. Permanecera o tempo todo de olhos vendados, rendido às percepções sensoriais.
No dia seguinte, ao despertar do velho relógio, finalmente viu a luz do sol. Sábado. Dia de descanso.
A única lembrança que restara do dia anterior, foi uma marca de batom no seu rosto. E caída, debaixo da cama, uma tira de cetim negro perfumado, com um número de telefone bordado.
A venda da noite a espera de uma ligação nunca fora encontrada.

sábado, setembro 12, 2009

Caminhos que se cruzam?

Queria tanto te dizer que
não sei mais qual sentido tens para mim.
alguém para dividir gargalhadas de infames bad jokes...
Te quero por perto.
queria tanto entender o que se passa aqui.
E se há algum sentido no que sinto quando olho dentro dos teus olhos castanhos.
Seria apenas encanto por ter encontrado, ao acaso, tamanha eloquência vinda de lábios tão finos e de sorriso fácil?
Ou seria algo mais profundo?
Hoje, notei que as linhas da tua mão se assemelham às minhas.
Caminhos que se cruzam?
Ao acaso, por acaso?
És tu?
O cavaleiro das sombras que vem acompanhar minha alma em uma trajetória de final desconhecido?
És tu minha turbulência e meu porto seguro?
O acalento das minhas dúvidas e o suspiro de meus desejos?

ah, felicidade.
estou confusa.
porque não me ajuda a encontrar o caminho por entre as pedras?

sexta-feira, agosto 28, 2009

Sentidos

sopra o vento leste
desde que me deste
deste lado do riso
um canto sossegado
de olhos calmos
de palavras pensadas e ditas va ga ro sa men te

o vento leste
que trouxeste
até meus sentidos sensoriais
sensações antes não sentidas
não experimentadas pelo meu olfato
ah, teu perfume.

como o vento oeste pudera esconder-me durante tanto tempo tal relíquia?
como pudera privar-me destas sensações sentidas e sinestésicas?
audição, visão, olfato... falta-me apenas o paladar do tato.
Que gosto há de ter a tua pele?

domingo, agosto 23, 2009

I just

I just wait
I wait for you
for me
for us

I just want
want you
with me

Cause...
You live in my mind
and I don't knwon how leave you away

I have trying forget your eyes
but, I don't get
I want taste your lips
and forget the time...

quinta-feira, agosto 20, 2009

tic tac

tic tac

o som único
aterrorizante
que invade a noite fria e solitária

tic tac
tic tac

o tempo passa
segundo a segundo
e o sono não vem

tic tac
tic tac
tic tac

ele não para
madrugada a dentro
invade meus pensamentos

tic tac
tic tac
tic tac
tic tac

ainda estou acordada
e o tempo
lambendo meus pés.

quinta-feira, agosto 13, 2009

Leve, leve...

Leve, leve...
brisa leve-me daqui
leve-me para alí

Leve, leve...
de alma leve
de sorriso leve

Leve, leve...
voa pelo ar
até chegar ao destino

destino que não é fim.
é começo.

de sussuros ao pé do ouvido
de beijos no canto do sorriso
de mãos tremulas e abraços aquecidos

leve, leve...
leve-me para alí
leve-me para perto
leve-me para dentro
dos teus pensamentos

si, te quiero.

sexta-feira, agosto 07, 2009

Vento: o analista.

E quando o vento sussurar ao pé do teu ouvido,
que o tempo que tanto querias, perdeu-se no ar?
Ah, menina. Não finjas, a durona.
Teu coração é tão doce. Teu beijo, tão desejoso.
Por que isso agora?
Por que dar adeus, a algo que nunca saiu da potência.
Do virtual? Do pensamento?
Por quê???

Faço uma cara de assutada. Inspiro fundo e antes que minhas cordas vocais produzam, enfim, alguma sonoridade, o Vento toma a palavra e me acusa:

Tens medo.
Sequer consultou o que as cartas do tarot iriam dizer sobre
esse que invade tuas idéias, toma parte dos teus sonhos.
Tens medo. Mas, misteriosamente, parece que tens certeza...
de ter encontrado, alguém, com essência além dos tons de cinza.
Alguém para colorir teu dia. Iluminar teu sorriso e aquecer teus delírios...

Mas a certeza, é revestída por dúvidas. Como posso saber se é, se não provei? Pode ser tudo ilusão... e é este meu medo. Cerrar os olhos a uma paixão sem lógica!

JUSTAMENTE! - sopra, satisfeito, o Vento.
Já vistes alguma paixão fundada na razão?? Não, menina. A paixão é fruto do sentimento. Daquela alegria instantânea e, depois, do pulso que pulsa, do coração pulsante... e até das borboletas.
A paixão nasce, assim, do nada. E pode ser o tudo.

Ok, Ok. Vento. Você venceu. Mas prefiro não transportar uma vontade, uma idéia nascida numa troca de olhar... em paixão. Talvez, uma predisposição... um encanto. Concordas?

VUUUUUUUUUUU encanto. Essa palavra é mágica. Aceito.
Estás, portanto, encantada.
Como nos contos de fadas a espera...

Calma lá, Vento!
Nada de príncipes do beijo encantado e do felizes para sempre!
Sabes muito bem que não acredito mais em príncipes. Acredito em seres reais, de carne e osso. Que acertam, erram. Seres perfeitos, não existem. E é essa a graça da vida. Aprender que as diferenças podem fazer a unidade.


Então, vais deixar ele se aproximar?
Haverá história?

Se houver reciprocidade...

Se teu medo te impede de agir, não pode impedir os outros agirem... não pode evitar que outros pensamentos sejam desenhados no abstrato dos sonhos.
Deixe apenas, o desejo tomar forma.
E lance tua alma aos Ventos...
Lembra do que disse Voltaire?

Sim, eu lembro.

segunda-feira, julho 27, 2009

Um belo dia, resolvi mudar

Um belo dia acordei com uma sede diferente.
Uma sede de questionar o mundo.
Que mundo é esse que vivemos? Que relações mais efêmeras, líquidas e vazias preenchem a cada dia nossas ditas "comunidades virtuais". Comunidades, que estão, cada vez mais, distantes do verdadeiro sentido do "comum" e mais próximas do "virtual": a potência de algo, aquilo que ainda não é, mas que um dia poderá ser.
Em meio a tantos pensamentos inquietantes, o bichicho da "verdade crua e nua" me mordeu. E me vi desprovida de razões fundamentadas na frente do espelho. Oras, tornara-te igual às outras! Queres substituir o real pelo virtual na mesma velocidade do clic. Satisfação imediata ou seu dinheiro de volta!! Quanta estupidez.
Aonde fica o "tijolinho por tijolinho" que solidifica e dá base para as relações? No vazio do espaço... no vazio das ilusões. Na mentira contada para satisfazer o medo da solidão. E a verdade é sempre camuflada. Até que um belo dia, a gente acorda, e vê o mundo com outros olhos. E descobre que o tudo é o nada. E o nada pode ser o tudo.
Acho que não tenho mais idade para os amores platônicos.
Adeus, garoto dos óculos.

sábado, julho 11, 2009

Ganhou sem saber.

Ontem você ganhou.
Você ganhou sem saber.
Sem saber que estava em jogo.
Em jogo sem lógica.
Sem lógica, só sentimento.

Ontem você ganhou.
Você ganhou sem saber.
Ganhou.
O meu apreço.
A minha malícia.
E o meu desejo se desloca a ti.

Você ganhou.
Piercings, tatuagens e outros ornamentos não são teus atributos.
Você ganhou, apenas com teu sorriso, fácil, teu triunfo.

Ontem você ganhou.
Ganhou sem saber.
Ganhou por ser apenas você, com seus óculos.

quinta-feira, julho 02, 2009

Laranjas

Não acredito na história da metade da laranja.
Prefiro as laranjas inteiras.
Um ser incompleto, não encontra sua completude em outro incompleto.
Sempre irá faltar algo.
Já, as laranjas completas... ah, essas rendem um bom suco!

Eu me considero uma laranja inteira.
A espera de outra, igualmente inteira.
Para, então, somar.
Afinal, a soma de dois inteiros é maior que a soma de duas metades.

sexta-feira, junho 12, 2009

Clara conclusão para um dia dos namorados, não?

A verdade não precisa ser dita.
A verdade é vista, a verdade existe por si.
Ela anda por aí, é livre.

Já a mentira... ah, a mentira.
A mentira só existe quando dita.
Ela sempre está presa, presa a algo que não aconteceu.

Clara conclusão para um dia dos namorados, não?
Sim, eu sei.

Dizer "eu te amo" pode ser a mesma coisa que jogar palavras sem nexo ao vento.
Pode ser a mesma coisa que mentir. Um perfeito disfarce para um sentimento vazio. E quando menos se espera, acabou o amor??? Sempre desconfiei destes casais que dizem "te amo" a torto e direito...

Não. Não é isso que quero para mim. Nunca quis um papagaio que repete, repete, repete algo que desconhece.

Quero olhos nos olhos.
E a verdade vista, a olhos nus.
Já senti isso uma vez e a certeza permanece viva.
Acabou a relação, mas o carinho mútuo continua.
A paixão deu lugar ao respeito.
E não há amor sem respeito.

Enfim, dizer "eu te amo" não quer dizer nada.
Clara conclusão para 12 de junho, não?

segunda-feira, junho 08, 2009

Rendida numa trama imaginária

Pronto.
Eu me rendo.
Ao teu sorriso de canto,
ao teu canto de malandro,
a tua malandragem de menino.

Eu me rendo,
aos teus olhos castanhos,
escondidos sob o reflexo das lentes.

Eu me rendo,
a esta história sem começo.
Sem meio nem fim.

Eu me rendo a aquilo que não posso controlar.
Não te escolhi.
Foi teu olhar que me pescou numa tarde fria.
E me fez pensar que talvez ouvesse algum sentido
Nesse desejo devaneio, imaginação.

Rendida estou, garoto dos óculos.

domingo, maio 31, 2009

Adeus a um quase talvez amor

Não.
Sorrisos falsos não me bastam.
Sentimentos falsos não me bastam.
Aprender a mentir, num mundo de fantasias é fácil.

Difícil é olhar no espelho
É encarar o outro que te miras, te denuncia.

Não.
Não quero mais amores de mentira.
Nem sentimentos infundados.

Se for para me decepcionar,
que seja logo. Que seja breve.
Tão breve quanto o segundo que passa.
Tão logo quanto o minuto seguinte.

Antes que o calor se faça, em meio a este frio
Antes que o desejo arda como a brasa
Antes, bem antes...

Se vá,
feito fumaça.
Evapore pelo ar,
sem deixar traços, rastros.

sábado, maio 16, 2009

Susurros de um desejo não revelado

Ao pé do teu ouvido,
não restam mais palavras.
Apenas brincos.
Brilhos, cores, amores.
Susurros de um desejo não revelado.

Ao pé do teu ouvido,
a vontade dita,
foi apenas um suspiro...

Alí, no pé do teu ouvido,
faltou coragem.
Sobrou vontade.

Ao pé do meu ouvido,
Te quero.

domingo, maio 10, 2009

síndrome de Narciso

Era uma vez, um rapaz que tinha a síndrome de Narciso. Ele pensava que todo o mundo admirava, que todo mundo queria sua atenção. Que era o mais belo, o mais forte, o mais másculo, o mais interessante e desejável rapaz da aldeia.
Sua convicção era tamanha, que chegava a desconfiar que os outros rapazes o invejavam e tramavam armadilhas para destruir seu encanto. O rapaz sentia que seu poder de sedução era tão intenso que era capaz de despertar interesses homossexuais em outros rapazes.
Era tão convencido que não percebia a diferença entre um amigo e um enamorado. Não aceitava ser rejeitado pelas moças e muito menos ter seus dotes físicos diminuídos. O rapaz, já em desepero, usava da violência para manter sua suposta supremacia. Suas palavras baixas, suas brincadeiras de mau gosto exteriorizavam aquilo que todos sabiam, mas ele não entendia: não se pode comprar o amor das pessoas.

terça-feira, maio 05, 2009

Pudera eu...

Pudera eu parar o tempo,
Voltar os minutos passados,
E transformar o segundo atrás em segundo futuro.

Pudera eu te esperar
com a roupa limpa,
a casa em ordem,
e um sorriso novo...

Pudera eu parafrasear os versos,
dos verbos dos poetas,
para te dizer o indidizível.

Pudera eu te dizer,
aquilo que eu não entendo?
Tão simples, tão tranquilo.
Tão você.

Pudera eu te dizer,
que teu lugar é aqui,
ao pé do meu ouvido?

quinta-feira, abril 30, 2009

Uma só palavra.

Para hoje, uma só palavra basta.
Para hoje, uma só palavra conforta.
Para hoje, uma só palavra diz o que deve ser dito.

CONFIANÇA.

Confio em você.
Sei que você é capaz.
Ah, garoto dos óculos, confiança!

domingo, abril 26, 2009

Por trás da lentes

Por trás das lentes dos óculos, um mundo a ser desvendado.
Um mundo a ser contado, experimentado.
Os olhos, por trás das lentes dos óculos, brincavam de seduzir. As lentes os protegiam do contato direto, do calafrio. Assim, ele pode sentir a sensação de fitar os olhos castanhos dela, tão vivos, tão desprotegidos, tão intensos... sem temer que os olhos nos olhos o fizessem corar a face.
Mas, mal sabia ele que as lentes não protegeriam sua voz. As palavras ditas, engasgadas, tropeçavam no ar. E o pulso acelerado induziu a um pequeno e breve rubor. Ela notou.
Ela notou que por trás das lentes dos óculos haviam dois olhos ávidos por sua atenção. Por trás das lentes dos óculos, havia um mundo a ser desvendado. Um mundo a ser contado, experimentado. Havia um coração a ser amado.
Ela sorriu.

quinta-feira, abril 02, 2009

Dois quilos

- Moço, me vê dois quilos de tempo?
- Inteiro ou em pedaços?
Penso um pouco e decido:
- Um quilo inteiro, para os trabalhos urgentes. E um quilo em pedaços, bem pequenos, para que eu possa apreciá-lo vagarosamente.
- Vagarosamente? Se são pedaços pequenos irá acabar logo, moça!
- Não, não irá acabar. Poderei usar um pouquinho todo dia, para ver o pôr-do-sol. O pouco de cada dia, formará o muito de um mês.
- Ah, sim. Tens razão. Então, cortarei cada pedaço no tamanho de um anoitecer.
E assim fez o moço, aquele que vende tempo em quilos. Sonhos em unidades e detalhes em milímetros.

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Esqueci!

Esqueci o que eu queria dizer!
Esqueci o que eu queria fazer!
Esqueci o que eu poderia conter.

Esqueci do tempo.
Da roupa no varal.. que a chuva molhou.
Da panela no fogão, que o fogo queimou.
Do cabelo solto, que o vento bagunçou.

Esqueci das coisas importantes,
mas, principalmente, das irrelevantes.
Esqueci...
Esqueci...

Esqueci de te amar,
de te adorar,
de te esperar.

Esqueci de ti quando me encontrei.

sábado, fevereiro 07, 2009

Simples

Às vezes é muito difícil verbalizar o que sentimos.
Traduzir sentimentos em palavras, sem hipérboles que inspiram a falsidade, por vezes, é uma dádiva pertencente apenas aos poetas.
Transformar o complexo, confuso e confesso em simples versos é quase como andar em um carrossel tentando alcançar quem está a nossa frente.
E quando a gente tenta falar, a garganta seca, o coração pula e as lágrimas querem sentir o ar da liberdade.
Emoções e dramalhões à parte, com vocês:

Simples
Nenhum de Nós
Composição: Thedy Corrêa

Queria te dizer palavras simples
Que guardariam tudo o que eu sinto
E pelo simples fato de te dizer
Mais forte ficaria meu sentimento

Mas nada que eu diga me parece exato
Nada que eu pense tem um sentido claro
Nenhuma canção vai me ajudar a descobrir

O que aconteceu conosco foi imenso
Um sentimento tão intenso
Que eu não encontro
As palavras certas não existem
No universo inteiro

Queria te dizer palavras simples
Queria te dizer palavras simples
Mas as palavras certas não existem
No universo inteiro
As palavras certas não existem
No universo inteiro

Queria te dizer palavras simples
Queria te dizer


ps. Obrigada taty, por motivar, involuntariamente, este post.

 nenhum de nós - Simples

sexta-feira, janeiro 23, 2009

as 7 maravilhas do meu mundo

Se você tivesse que listar as 7 coisas sem as quais não conseguiria viver, o que você escolheria?
A pergunta, embora pareça de fácil e rápida resposta, revela o quão pode ser instigante este desafio. Não se trata apenas de enumerar objetos, pessoas, enfim, coisas que consideramos importantes ou que gostamos. Trata-se de avaliar o que somos, quem somos e como somos. Trata-se, acima de tudo, de fazer escolhas (como tudo na vida, aliás).
Se são 7 coisas necessárias a minha vida, suponhamos que a falta de uma delas, levaria meu corpo, mente e sanidade a um complexo estado, praticamente, irreversível. E se eu estou vivinha da silva, aqui postando, é pq estas 7 coisas, estão, de um modo ou de outro, presentes neste momento em mim (seja pela força do pensamento, seja pelos poderes de Grayskull). Pois, foi assim que encarei o desafio, proposto pelo meu amigo-guru, Cordeiro.
Depois de muito matutar, aí estão, as 7 maravilhas do meu mundo! Deixando claro que os números não se tratam de hierarquias... apenas referências!

1 - Oxigênio: atire a primeira pedra quem não precisa deste fabuloso elemento, diretamente em seus pulmões! Com a crescente poluição urbana, o que eu mais preciso é ar puro, para respirar!

2 - Água: tão necessária quanto o item anterior. Ainda não inventaram nada melhor que H2O gelada para matar a sede. Além do mais, aproximadamente, 60% do corpo de um adulto é formado por água! Logo, nosso corpo, assim como nosso planeta é majoritariamente composto por esse líquido vital.

3 - Comida: embora eu não seja do tipo que "vive para comer", reconheço que "saco vazio não para em pé". Então, aqui está, o item referente aos carboidratos, proteínas, vitaminas, sais minerais e etc. Eu como para viver. E, viver, de preferência, com saúde. Excluo definitivamente deste item, os temperos fortes, artificiais... e o leite.

4 - Energia elétrica: pode parecer exagero. Mas pense sua vida sem energia elétrica. Banho gelado no inverno? Caixa de isopor no lugar de geladeira? Lampião cheirando a querosene dentro do quarto? TV, computador plugados onde? Viva a melhor invenção humana: luz!

5 - Afeto: como já dizia Lulu Santos, "eu não sei viver sem ter carinho, é a minha condição". Incluo aqui família, amigos e todas pessoas especiais para mim. A quem dedico um cantinho no lado esquerdo do peito.

6 - Pensamento positivo: sorrir e ver o lado positivo das coisas, sempre! Caiu, bateu, escorregou? Talvez Gelol ajude na dor física. Mas só vendo o lado positivo, isto é, o aprendizado, verdadeiramente contribui para as cicatrizações. Levantar a cabeça é seguir adiante, firme e com alegria é fundamental.

7 - Sonhos: sonhar acordada, imaginar situações inusitadas. Deixar o pensamento levar para paisagens distantes... isso é essencial para mim. Adoro me perder nos sonhos, cavalgar nos desvaneios. Não só sonhar, mas por tudo no papel. Ajuda a entender a realidade, a exercitar a criatividade e planejar o futuro. Foi a força que motivou a existência deste blog. Sem falar que dava pra escrever um livro!



E quais são as 7 maravilhas do seu mundo, caro leitor?

sábado, janeiro 17, 2009

História

eu tinha vontade
vontade de escrever
escrever uma história
de uns olhos castanhos
que me intrigam, me provocam

eu tinha vontade
vontade de viver
viver uma história
com uns olhos castanhos
que me causam reações adversas...

mas a história não será escrita
a história não existirá
aqueles olhos a outra pertecem

quinta-feira, novembro 27, 2008

Necessidade e desejo

Para pensar. Refletir:

Necessidade = vazio que precisa ser preenchido. Conceito negativista, necessidade é algo que falta, resposta ao vazio. Nesta visão, o homem é tido como um ser de carência, pois age apenas para preencher o vazio.

Desejo = uma vontade, um impulso para a ação. É um conceito positivo, indica a resposta para ação. Nesta visão, o homem age para realização de uma vontade.

Então, você tem sede de que?
Quando o sentimento amoroso é necessidade e quando é desejo?
É necessidade quando sufoca, é fardo pesado para o outro. É chantagem, ciúme. Controle, posse. A vida do outro não é mais livre.
É desejo quando busca o outro livremente, sem posse, sem domínio. Apenas amor por amor. Ambos são independentes, cada um tem sua vida própria e se conjugam no verbo, puro e simples.

domingo, outubro 19, 2008

Revelações femininas - I

Já faz parte do senso comum - masculino, especialmente, diga-se de passagem - considerar o universo feminino um lugar de mistérios, incompreensões, loucuras e ataques histéricos. As mulheres são vistas como seres "estranhos", que choram compulsivamente na frente da televisão (sim, é clássica cena de novela em que a mocinha apaixonada reencontra o mocinho), fazem um escândalo por qualquer motivo bobo, têm brutas alterações de humor, sofrem com um mal chamado TPM, e são, acima de tudo, apaixonadas e apaixonantes.
Pois, bem. A partir de agora, tem início a série "Revelações Femininas". Obviamente, nem tudo será revelado. Mas as "revelações" aqui feitas, com certeza, deixarão a mostra o quanto uma mulher é um ser complexo. Complexo e sensível.

- Mulheres choram vendo novela. Não só novela, mas filmes, seriados, documentários. Qualquer coisa que evocar seus sentimentos é passível de fazê-las chorar. Depois de vários encontros e desencontros, a mocinha encontra o mocinho, a trilha sonora entra em cena e lá se vão os olhos inundados. Não tente dizer para ela não chorar, que é só ficção. Não adianta! São as mais puras lágrimas de emoção. E faz um bem danado.

- A segurança de uma mulher é proporcionalmente relativa ao modo como ela se sente perante as outras mulheres. Isto inclui, se a roupa está combinando, se o cabelo está alinhado e a maquiagem, na medida certa.

- Não existe coisa mais irritante, em dias de TPM, do que ouvir um "O que você tem?", "O que está acontecendo contigo?", "Porque você está agindo assim?". É tudo culpa dos hormônios, definitivamente, não existem respostas para as perguntas acima.

- Uma mulher pode se apaixonar por alguém com quem ela nunca falou. Viu na rua, na fila do banco.. seja onde for. Bateu o olho e gostou, tem um pontinho nos pensamentos dela. Na maioria das vezes, ela se encanta com o sujeito e o coloca na sua lista de desejos, sem necessariamente, ter a intenção de conquistá-lo.

E por hoje é só.

quarta-feira, outubro 15, 2008

paixonite principiante

Adoro esse teu jeito torto
de me olhar estranho.

Adoro esse teu jeito torto
revolucionário das causas justas.

Adoro esse teu jeito torto
certo, justo direito.

Adoro esse teu jeito torto
de ver o mundo.

Adoro ver teus olhos brilharem
dos teus objetos profundos.

quarta-feira, setembro 24, 2008

E a propaganda eleitoral...II

Cada semana que passa é uma semana a menos para os nossos nobres candidatos convencerem alguém a decidir o voto.
Assim, o clima dos debates, xingamentos e "truco-retruco" aumentam exponencialmente. Ah, como está ficando divertido acompanhar os programas eleitorais na TV. Principalmente dos "prefeitáveis". Um diz o outro rebate, a terceira reclama dos dois primeiros. E os assuntos se estendem... os fatos se traduzem em olhares diferentes. Afinal de contas, as obras foram "bem" ou "mal" feitas? Quem comprou voto de quem? Quem mentiu sobre o que? É um jogo de verdade e mentira, falsa-verdade e falsa-mentira. Um jogo de efeitos. Ganha quem parecer mais verdadeiro, honesto e bom para o futuro de Santo Pouco. Eu disse, "parecer", porque no lugar de onde estou, no sofá em frente a televisão, não tenho poderes de julgar e estabelecer com quem está a razão. Apenas, posso confrontar as minhas percepções com o dito (e o não dito).
Mas voltando a questão, posso dizer que a propaganda eleitoral gratuita é:
- uma oportunidade para conhecer o lado pobre e feio da sua cidade, sem sair de casa!
- uma oportunidade para testar seus conhecimentos sobre a cidade;
- uma oportunidade de ver como funciona o jogo dos efeitos de sentido;
- um programa de humor;
- um programa de terror: é melhor tirar as criancinhas da sala! não é bom que elas aprendam desde pequenas a lubridiar os adultos descaradamente.
- um programa para maiores de idade!

sábado, setembro 13, 2008

E a propaganda eleitoral...

Em tempos de eleições, fico a me questionar o que é pior: a propaganda eleitoral gratuita ou as promessas inconseqüentes dos nossos nobres candidatos. Para evitar eventuais conflitos partidários, vou me deter ao primeiro item.

Com um certo humor sádico, poderia dizer que o referido horário é um excelente programa humorístico. Já reparou nas estranhas figuras que aparecem no vídeo? Estranhas figuras com discursos e promessas mais estranhas ainda? É para rir ou para chorar? Ah, sim, está cada vez mais difícil encontrar um candidato a vereador que mereça meu pequeno, mas honrado, voto. E as campanhas dos "prefeitáveis"? É toma-lá, dá-cá! Um acusa o outro, o outro desmente o um... e por aí vai.

Mas voltando a raiz da questão, porque tratamos de "propaganda eleitoral" e não "publicidade eleitoral"? É simples, caro leitor.

Publicidade deriva de publicus (latim) e designa a qualidade daquilo que é público. Já propaganda é derivada de propagare, termo latino utilizado antigamente na agricultura com o significado de algo como “plantar um broto no solo”. O termo ganhou novo sentido quando o Papa Clemente VII, em 1597, fundou a Congregação da Propaganda, com o intuito de propagar a fé católica pelo mundo. Logo, propaganda é definida como a propagação de princípios e teorias, políticas, religiosas ou filosóficas.Assim, o que os políticos fazem (ou melhor, tentam fazer) é propagar seus princípios através da mídia, para arrecadar votos, confiança e "fiéis" aos seus partidos.

Toda propaganda é ideológica, voltada às emoções, idéias e ideais. Vale lembrar, que a propaganda foi uma das poderosas ferramentas utilizadas por Hitler para propagar a ideologia nazista. O triste exemplo alemão, apenas comprova o poder que as mensagens podem exercer.

Então, caro eleitor, pense muito bem, avalie as propostas... deixe a emoção de lado, e chame a razão para o debate.

terça-feira, setembro 09, 2008

Ah..se eu pudesse.

Ah, se eu pudesse.
Ao menos uma vez.
Apreciar tua retina castanha, em silêncio.
Ter a tua voz ao pé do meu ouvido.

Ah, se eu pudesse.
Ao menos uma vez.
Sentir teu abraço quente.
Tua barba roçar na minha pele.
Teu lábio macio, me dizendo que sim.

Te garanto.
Não esquecerias.
Nem que fosse uma única vez.

[opa! Adelaide está voltando. Encantada com o moço que fala bonito]

domingo, agosto 31, 2008

Bom caráter

Controle remoto na mão e o movimento frenético do "apertar botões" em busca de algum entretenimento. Cena comum de uma noite em frente a TV em que o zapping é inevitável. Paro em um canal qualquer, o programa é de entrevistas. Não vem ao caso, entrevistado e entrevistador, embora cada um possua, no mínimo, algum destaque no cenário do show bussines brasileiro.


Lá pelas tantas, uma frase me surpreende:


"Você sabe quando um homem é de bom caráter, quando ele se dá bem com todos as suas ex-mulheres, ex-namoradas..."


Fiquei pensando por um momento. E, realmente, há lógica no dito. Um sujeito que consegue transformar um antigo relacionamento amoroso em amizade, deve ser um bom sujeito. Sempre desconfiei desses seres que não podem ver os exs "nem pintados de ouro". Aonde foi parar todo o sentimento que os unia?? Me parece que nunca houve sentimento algum, apenas o desejo de posse, numa relação falsa, incompleta. Com algumas exceções, obviamente. Afinal, perdoar aquela que transformou sua cabeça numa "galhada" não deve ser muito fácil...


Ok, há relacionamentos e relacionamentos, com os mais variados motivos para o derradeiro final. Mas a lógica da frase está no sentido da dupla concordância: o homem se dá bem com a ex, e vice-versa. Ambos são bem resolvidos, ninguém arrasta corrente pelo outro o resto da vida. Acabou a paixão, acabou. Mas resta o respeito, os bons momentos, os laços sinceros que os uniam.


Então, quando um outro alguém aparecer na sua vida, procure saber como ele trata as suas exs. Valiosos indícios podem ser revelados. Se a lamúria sobre a ex for muito grande... abra os olhos, pois é muito provável que ocorra várias comparações (entre você e ela) e ele tente te transformar numa "cópia perfeita" dela (ninguém merece). Agora, se ele parecer bem resolvido, é só correr para o abraço.


A expressão revela uma verdade: ninguém está pronto para assumir uma nova relação, se ainda guarda mágoas e negatividade da antiga. É preciso colocar o ponto no "i" antes de seguir a frase.

segunda-feira, agosto 18, 2008

Tempo

Tempo!
Devoras o que possuo.
Levas o que tenho.
Tudo acaba, termina.
Como sonho culmina.

Tempo,
para onde fostes?
para onde vais?
para onde levas o meu tempo?

Tempo
mistério sem resposta.
medo em ponteiros.
foi e não volta.

terça-feira, agosto 05, 2008

Dicionário

A mais pura verdade dos dicionários. Li, gostei, postei.


“Quando consultamos uma palavra no dicionário, o dicionário nos fornece uma definição ou um sinônimo daquela palavra. Em nenhum dos casos, o dicionário nos apresenta a ‘coisa’ mesma ou o ‘conceito’ mesmo. A definição do dicionário simplesmente nos remete para outras palavras, ou seja, para outros signos. A presença da ‘coisa’ mesma ou do ‘conceito’ mesmo é indefinidamente adiada: ela só existe como traço de uma presença que nunca se concretiza. Além disso, na impossibilidade da presença, um determinado signo só é o que é porque ele não é um outro, nem aquele outro etc., ou seja, sua existência é marcada unicamente pela diferença que sobrevive em cada signo como traço, como fantasma e assombração”

Referência:
SILVA, Tomaz Tadeu da. A produção social da identidade e da diferença. In: SILVA, Tomaz Tadeu da (Org.); HALL, Stuart; WOODWARD, Kathryn. Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000. p. 79.

sexta-feira, julho 04, 2008

o que é o tempo?

Tempo. s. m. 1. Medida de duração dos seres. 2. Uma época, um lapso de tempo futuro ou passado. 3. A época atual. 4. A idade, a antiguidade, um longo lapso de anos. 5. Ocasião própria; ensejo, conjuntura, oportunidade. 6. Sazão, quadra. 7. Estado meteorológico da atmosfera; vento, ar, temperatura. 8. Gram. Flexão que indica o momento de ação dos verbos. 9. Mús. Cada uma das divisões do compasso. 10. Mús. Movimento com que se deve executar um trecho musical e que se indica por meio de determinadas expressões.

Tempo. Uma convenção da humanidade, marcada por horas, minutos, segundos... dias, meses, anos e seus derivados.

Tempo. Cada um dos 45 minutos de um jogo de futebol, separados pelo intervalo.

Tempo. Uma forma amena de dizer ao parceiro que seu romance chegou ao fim.

Tempo. O estado metereológico do ar, das nuvens, do sol...

Tempo. O senhor da razão, o aprendizado.

Tempo. O passado. O presente. O futuro. Não necessariamente nesta ordem.

Tempo. Algo entre o ontem e o hoje.

Tempo. Indicativo de mudança.

Tempo. Saudade... daquele tempo.

quarta-feira, maio 28, 2008

Enquanto a chuva cai II

Enquanto a chuva cai
molha teu rosto,
escorre pela alma,
espalha o perfume pelo corpo.

Enquanto a chuva cai
penso em ti,
que nem tens um rosto,
nem tens um corpo,
nem tens um nome.

Enquanto a chuva cai
eu sonho,
eu desejo,
aquele ser que ainda não encontrei.

Enquanto a chuva cai I

Enquanto a chuva cai
Escorre pela grama
Lava as calçadas
Encharca os sapatos

A canção não para de tocar
Aqui, só para mim.

Enquanto a chuva cai
O vento brinca com os guarda-chuvas,
Os cabelos,
Os rumores e humores

A cena não para de rodar
Aqui, só para meus olhos admirar

Enquanto a chuva cai
eu fico aqui,
observando o mundo,
construindo a realidade,
imaginando cenas, trilhas, heróis e vilões
enredos fantásticos
de histórias que nem sei onde começaram,
mas sei que, um dia, acabam.
Afinal, não pode chover para sempre.

sexta-feira, maio 23, 2008

Ao acaso

Encontros ao acaso, à merce do destino, do carma ou dos ventos costumam ser os melhores, pois deixam no ar uma vontade.
Nada premeditado, nada arrumado.
Acontecem, assim, do nada.
Ou do aparente "nada".
Talvez uma força maior, a da imprevisibilidade, já previsse tudo. Já esperasse o momento certo, para brincar com os olhos castanhos.
E como numa narrativa de cinema, ela vem, despreocupada, desarrumada e descabelada. Descendo a ladeira... lá em baixo, no plano, à sorte dos momentos, ele aguarda.
E o instante mágico do reencontro se faz.
E a imagem se transmuta dos olhos, para a memória... para ser revista.
As poucas palavras, o sorriso, o olhar... tudo gravado, arquivado.
E a vontade de um novo acontecimento inesperado, torna-se esperado.
E não se pode fazer mais nada além de esperar.
Um novo acaso... por acaso.

sexta-feira, maio 16, 2008

Pensamento do dia

Num mundo líquido, de relações efêmeras e incontáveis, o que realmente vale?

Para mim, vale a verdade. A honestidade. A consciência tranquila e o coração em paz.

Há quem diga que os relacionamentos ditos "abertos", são a mais pura expressão de leviandade, liquidez e falta de objetivos construtivos em torno de um comum. Mas eu, eu Habylee, penso diferente.

Vejo neste tipo de relação a melhor solução para quando uma (ou ambas) das partes não tem convicção de que a outra é sua cara metade... e por consequência pensa que pode estar "empatando" a vida do outro (e a sua também). Ok, você pode questionar: "por que não terminam de uma vez?". A resposta é simples e complexa.

É uma questão de honestidade. Não se trata de "enrolar" o outro. Se trata de uma chance, uma oportunidade para testar a relação e, ao mesmo tempo, não fechar as portas para novas ocasiões do acaso (ou do destino).

Talvez realmente exista um forte sentimento, uma vontade amba de estar junto... mas falta a certeza do "para sempre". E enquanto a certeza não vem... ambos tem a chance de conhecer outras pessoas e conhecer a si mesmo. Tem a chance de verificar qual força os une. Afinal, se continuam "juntos" e não querem dizer o definitivo "acabou"... existe algo muito mais belo, poético e amoroso do que se pode supor.

Obviamente, o desgaste pode ser mais rápido. Numa noite qualquer, a metade de uma das laranjas pode aparecer... e nessa hora o fim é imprescindível. O relacionamento aberto também tem um parceiro fixo... um único fixo. Os outros são apenas coadjuvantes que não aparecem por mais de uma cena. Repetir cenas com coadjuvantes, é traição. Protagonizar cenas calientes com coadjuvantes também.

Ainda, este tipo de relação, põe à prova uma gama infindável de sentimentos (ciúme, raiva, paixão, amor, possessividade, agressividade, compaixão, perdão...), o fundo e o alto do poço negro das emoções e instintos é experimentado de forma intensa e, por vezes, incontrolável. Embora a lógica do "prazer e dor" não seja a ideal para os aprendizados desta vida... é com certeza, o tipo de aprendizado que ocorre nesta situação.

As feridas, viram cicatrizes. As cicatrizes, lembranças. E as lembranças... memórias. Conhecimento, acima de tudo, pessoal: seus limites, suas potencialidades, fraquezas e forças. Você cresce. E renasce.
 
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